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<p>O ex-procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima foi acusado pelo advogado Rodrigo Tacla Duran de receber propina para não processar doleiros pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Tacla Duran, que depôs por videoconferência da Espanha, onde mora, afirmou que o doleiro chinês naturalizado brasileiro Wu Yu-Sheng pagou US$ 500 mil a advogados que faziam parte do esquema.</p>
<p>Durante a audiência na 13ª Vara Federal de Curitiba, que cuida dos processos da Lava Jato, Tacla Duran explicou que a proteção aos doleiros era feita mediante cobrança de uma taxa para que o doutor Carlos Fernando se comprometesse a não perseguir penalmente esses envolvidos. Ele afirmou que o ex-procurador passou a ajudar a pagar esse valor todo mês por um longo período.</p>
<p>Carlos Fernando dos Santos Lima atuou por quatro anos na força-tarefa do Ministério Público Federal que liderou a Operação Lava Jato. Apesar de Deltan Dallagnol ter conquistado maior visibilidade, muitos acreditam que Carlos Fernando foi um dos principais estrategistas do grupo.</p>
<p>Os dados fornecidos por Tacla Duran sobre as contas bancárias que teriam sido utilizadas para movimentar a propina foram encaminhados pelo juiz da 13ª Vara para a Superintendência da Polícia Federal do Paraná para abertura de investigação.</p>
<p>Tacla Duran depôs na condição de testemunha indicada pelo ex-vice-presidente do Equador, Jorge Glas, que responde a um processo por denúncia feita por Dallagnol. O advogado, que trabalhava para a empreiteira Odebrecht em 2016, afirmou ao juiz que, na época, executivos da empresa eram "forçados e humilhados a delatar" para a força-tarefa da Lava Jato.</p>
<p>As acusações levantadas no depoimento de Tacla Duran são graves e podem ter consequências sérias para o ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima e para a operação Lava Jato como um todo. O caso será investigado pelas autoridades competentes para que sejam apuradas as denúncias e tomadas as medidas cabíveis.</p>
