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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizou o envio à Polícia Federal para análise de uma "vaquinha" de R$ 17,2 milhões destinada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O montante arrecadado levantou preocupações devido a alegações de doações suspeitas e sua possível relação com indivíduos investigados por atos antidemocráticos.
Os parlamentares apresentaram evidências de que a maioria dos doadores da "vaquinha" está sob investigação por envolvimento em atos antidemocráticos. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à CPI dos Atos Golpistas revelou que Bolsonaro acumulou os R$ 17,2 milhões por meio de doações via Pix de janeiro a julho deste ano.
Segundo o Coaf, as movimentações foram consideradas atípicas e, provavelmente, estão relacionadas a uma campanha de arrecadação feita por apoiadores do ex-presidente para pagar multas judiciais. Entre janeiro e julho de 2023, quase 770 mil depósitos via Pix, totalizando R$ 17,2 milhões, foram feitos na conta pessoal de Bolsonaro, aberta em junho de 2020 no Banco do Brasil.
Parlamentares e ex-integrantes do governo amplamente divulgaram a chave Pix de Bolsonaro dias antes das postagens pedindo doações. A Justiça de São Paulo havia bloqueado mais de R$ 370 mil do ex-presidente devido ao não pagamento de multas decorrentes de seu não uso de máscara em diversas ocasiões durante a pandemia.
A defesa de Bolsonaro afirma que os valores são provenientes de milhares de doações via Pix de seus apoiadores e têm origem lícita. O objetivo da Procuradoria-Geral da República ao encaminhar a análise à Polícia Federal é esclarecer se há alguma conexão entre esses dados e o inquérito que investiga a atuação de uma milícia digital contra a democracia e as instituições. Além disso, a PGR avalia se as doações foram feitas por investigados em atos antidemocráticos.
