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A Justiça de São Paulo atendeu ao pedido de tutela de urgência da operadora no Brasil das marcas Starbucks, Subway, Eataly, TGI Fridays e Brazil Airport Restaurant, para antecipar os efeitos da recuperação judicial pedida no final de outubro, por uma dívida de R$ 1,8 bilhão. Com a decisão, parte do patrimônio da SouthRock Capital está protegido e estão suspensos os bloqueios de bens por credores que incluem bancos, Receita Federal e a matriz mundial do Starbucks.
No entanto, o maior risco para o grupo é perder o direito de uso da marca Starbucks no país, devido ao atraso de pagamento no acordo da licença e dos royalties, uma vez que foram feitas negociações sobre repactuação de contrato.
A holding alegou no documento do pedido de recuperação judicial que a economia brasileira e a pandemia causaram queda nas receitas. Em 2020, as vendas caíram 95%. Em 2021, 70%; já em 2022, o tombo foi menor, mas ainda expressivo: 30%.
A inflação e permanência da taxa de juros elevada foram citadas como empecilhos e agravantes frente aos desafios para as varejistas, incluindo a própria.
O comunicado aponta que o pedido de recuperação judicial foi para proteção financeira de algumas de suas operações no Brasil, atrelado a decisões estratégicas para ajustar seu modelo de negócio à atual realidade econômica.
“Os ajustes incluem a revisão do número de lojas operantes, do calendário de aberturas, de alinhamentos com fornecedores e stakeholders, bem como de sua força de trabalho tal como está organizada atualmente”, segundo trecho do documento.
No caso da rede de cafeterias do Starbucks, a holding, que responde por todas as lojas como master licenciado, sem subfranquear as unidades, segue operando enquanto ajustes são feitos. Neste ano, foram fechadas mais de 40 lojas em território nacional, restando agora 144, segundo o mapa de lojas do site da empresa.
A grande questão é que o faturamento bruto mensal do Starbucks em terras brasileiras é de R$ 50 milhões, segundo o pedido encaminhado à Justiça, representando a maior parcela do fluxo de caixa consolidado do grupo. E caso perca a licença para continuar operando no Brasil, o grupo diz que vai experimentar “o verdadeiro estrangulamento do seu fluxo de caixa”.
Somado a isso, 80% do volume das vendas do Starbucks são utilizados como garantias em títulos de dívida, já que esta foi uma forma de a SouthRock tomar créditos por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPE) para manter o ritmo de crescimento no pós pandemia. Além disso, há Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) atrelados à rede no Brasil.
Por esse motivo, a holding luta para manter o direito de uso da marca pelo menos durante o “stay period”, conhecido como fase de “respiro”, logo, durante a suspensão dos pedidos de bloqueios de bens.
A SouthRock ainda tenta negociar com a matriz mundial do Starbucks uma solução para o impasse. A holding espera que a empresa norte-americana entenda a situação e permita que a operação no Brasil continue, mesmo que com uma nova estrutura financeira.
Enquanto isso, a holding segue buscando alternativas para se reestruturar e voltar a crescer no Brasil.
