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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Americanas concluiu suas investigações nesta terça-feira (26) sem indiciar os possíveis culpados pela fraude de R$ 20 bilhões na varejista. O relatório final foi aprovado por 18 votos a favor e 8 contrários.
O relator da CPI, deputado Carlos Chiodini (MDB-SC), reconheceu a possível participação da cúpula da empresa, mas afirmou não haver provas suficientes para indiciar os responsáveis pelas irregularidades no balanço contábil que ocultaram o rombo bilionário. Ele ressaltou que não houve tempo para realizar investigações mais profundas e que não tinha coragem de acusar pessoas sem provas concretas.
Alguns membros da CPI, como o deputado Mendonça Filho (União-PE), argumentaram que a opção do relator visou à preservação da empresa e à manutenção dos empregos, sugerindo que as investigações fossem concluídas pela Justiça. Mendonça Filho afirmou que não havia provas diretas implicando os acionistas de referência da Americanas.
Por outro lado, a deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) criticou o desfecho da CPI, considerando-o uma "tentativa de blindar" grandes acionistas e bancos envolvidos na fraude. Ela argumentou que os trabalhadores, pequenos acionistas e o povo brasileiro acabam sofrendo as consequências da fraude. Melchionna havia apresentado um voto em separado responsabilizando os três principais acionistas da Americanas, que não foram ouvidos pela comissão.
Mesmo após ter acesso a uma carta de Miguel Gutierrez, ex-CEO da empresa, que apontava o envolvimento do trio de acionistas na fraude, o relator Carlos Chiodini optou por não ouvi-los antes de encerrar as investigações da CPI.
