Matérias
Brasil

Julgamento no STF sobre uso da TR no FGTS acontece hoje

Análise da legalidade da Taxa Referencial na correção do FGTS acontece hoje

Escrito por
Thiago Freire
November 9, 2023
Leia em
X
min
Compartilhe essa matéria
Leia Também

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga hoje sobre a legalidade do uso da Taxa Referencial (TR) para correção das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para amanhã, quinta-feira (9). A análise desse caso estava inicialmente programada para a sessão desta tarde, mas outros processos tiveram prioridade de julgamento.

O julgamento foi interrompido em abril deste ano devido a um pedido de vista apresentado pelo ministro Nunes Marques. Até o momento, o placar da votação está em 2 a 0 pela inconstitucionalidade do uso da TR na correção do fundo. Segundo esse entendimento, a correção não pode ser inferior à remuneração da poupança.

A importância desse julgamento se dá pelas potenciais consequências de uma mudança no cálculo da remuneração do fundo. Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), uma decisão favorável à correção poderia resultar em um aumento das taxas de juros nos empréstimos para financiamento habitacional e exigir um aporte de cerca de R$ 5 bilhões da União para o fundo.

Para entender o contexto, o caso teve início a partir de uma ação protocolada em 2014 pelo partido Solidariedade. O partido alega que a correção pela TR, que tem rendimento próximo de zero ao ano, não remunera adequadamente os correntistas, deixando-os em desvantagem em relação à inflação real.

O FGTS, criado em 1966 para substituir a garantia de estabilidade no emprego, atua como uma poupança compulsória e proteção financeira em casos de desemprego. Quando um empregado é demitido sem justa causa, ele tem direito ao saldo do FGTS, acrescido de uma multa de 40% sobre o montante.

Desde que a ação foi apresentada ao STF, leis foram implementadas, e as contas do FGTS passaram a ser corrigidas com juros de 3% ao ano, além da inclusão de distribuição de lucros do fundo e correção pela TR.

O governo federal, por meio da AGU, defende a extinção da ação. Segundo a AGU, as leis 13.446/2017 e 13.932/2019 estabeleceram a distribuição de lucros para os cotistas. Portanto, de acordo com a AGU, não se pode mais alegar que o uso da TR resulta em uma remuneração inferior à inflação real. A decisão do STF terá implicações significativas para milhões de trabalhadores brasileiros e para o mercado de financiamento habitacional no país.

No items found.
Matérias relacionadas
Matérias relacionadas