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<p>Em defesa aos seus territórios, os indígenas sempre foram vítimas de violência, portanto, segundo George (nome fictício) afirma que não vem de hoje esses casos, principalmente com as lideranças indígenas. “Isso [a violência] se intensificou bastante durante o governo Bolsonaro”, como fala George. </p>
<p>“Essa classe política que se apropriou para fazer um presidente crescer, tanto é que houve vários decretos a flexibilização das armas e isso acabou fortalecendo a questão da onda de violência contra as comunidades indígenas.” Afirmou o homem. “Foram alvos principalmente os defensores da causa e lideranças indígenas”, completa. O entrevistado ainda comenta que tem registro de lideranças foram assassinadas por defender seu lar. </p>
<p>Conforme o relatório de violência contra indígenas, do Conselho Indigenista Missionário, foram registrados 355 casos de violência contra os povos originários, em 2021, no Brasil, sendo: abuso de poder (33); ameaça de morte (19); ameaças várias (39); assassinatos (176); homicídio culposo (20); lesões corporais dolosas (21); racismo e discriminação étnico cultural (21); tentativa de assassinato (12); e violência sexual (14), condizendo com o que George falou. </p>
<p>“Os estados que registraram maior número de assassinatos de indígenas em 2021, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e de secretarias estaduais de saúde, foram Amazonas (38), Mato Grosso do Sul (35) e Roraima (32).” Mostra o relatório. Os três estados também apresentam maior taxa de assassinato em 2020 e 2019.</p>
<p>Não apenas de violência física, como explica George, que vem o medo, mas de pôr mensagens de texto de números desconhecidos com as palavras “você tem que morrer”. Durante a entrevista, o homem não quis comentar sobre as mensagens que recebia devido aos traumas que as duras palavras deixaram em sua mente. </p>
<p>George ainda comenta sobre resistência. “Fizemos um juramento que não baixaríamos a cabeça e não nos renderíamos diante de qualquer situação. Íamos bater de frente de igual para igual" pontuou. Ele se considera forte, pois foi preparado para isto, aliás, não somente ele, mas como todos os indígenas.</p>
<p>O homem ainda afirma que as vitórias conquistadas foram frutos de muito sangue, muitas vidas indígenas que foram perdidas para viveram o mínimo de dignidade possível, “Governo é governo; movimento indígena é movimento indígena. Acreditamos na força que a gente que é a base de união e principalmente resiliência.” Finaliza George. </p>
<p>Apesar das vitórias, nem tudo são flores. Pelo menos em 2021, de acordo com o relatório: : desassistência geral (34 casos); desassistência na área de educação escolar indígena (28); desassistência na área de saúde (107); disseminação de bebida alcóolica e outras drogas (13); e morte por desassistência à saúde (39), totalizando 221 casos, no Brasil. </p>
<p>No relatório, ainda não foram disponibilizados os dados de 2022.</p>
