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Discurso de ódio como influência nos ataques em escolas

Os ataques em escolas têm sido acontecimentos quase que comuns no cotidiano do brasileiro, e são feitos por jovens e adultos, provocando mortes e deixando pessoas, e até crianças, feridas

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April 17, 2023
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<p>Nos últimos anos, o Brasil tem apresentado um alto nível de violência, que acabou chegando nas escolas. Os ataques em escolas têm sido acontecimentos quase que comuns no cotidiano do brasileiro, e são feitos por jovens e adultos, provocando mortes e deixando pessoas, e até crianças, feridas.</p>

<p>Segundo um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campina (Unicamp), até março deste ano, o Brasil contabilizava 23 ataques em escolas. Mas esse número, infelizmente, já subiu para 26. Isso porque na terça-feira (11), um adolescente de 13 anos, feriu três alunos em uma escola estadual em Santa Tereza (GO). Na segunda-feira (10), um outro atentado aconteceu, dessa vez em uma escola particular de Manaus, onde um adolescente feriu com facadas, uma professora e dois alunos. </p>

<p>No último dia cinco de março, um caso tão brutal quanto os outros aconteceu em uma creche em Blumenau, Santa Catarina. Um homem invadiu a creche, matou quatro crianças e deixou mais cinco feridas. </p>

<p>Uma semana antes desse ataque, um adolescentes de 13 anos entrou em uma escola estadual, em São Paulo, e matou uma professora de 71 anos a facadas. Pelo menos outras duas educadoras e um aluno foram feridos com faca na ação criminosa. </p>

<p>Os ataques têm gerado diversos questionamentos quanto à segurança pública, a motivação para os crimes e como escola e poder público podem agir nessas situações. </p>

<p>Será que ataques anteriores e como são reportados pela mídia influenciam? As redes sociais com vídeo mostrando essa violência não geram mais violência? Como diminuir o acesso de jovens a conteúdos sobre ataques e violência? Será que o Brasil está virando um Estados Unidos ?</p>

<p>A nossa reportagem procurou especialistas para sanar algumas dessas dúvidas e trazer algumas soluções para o evitar tragédias como essa.</p>

<h2><strong>Brasil Americanizado?</strong></h2>

<p>Esse tipo de violência em escolas é constantemente visto em estados do Estados Unidos da América, e muitos filmes, documentários e vídeos desses ataques estão espalhados pelo mundo virtual. No Brasil, o consumo de conteúdos americanos é muito grande e se sabe que o brasileiro adotou alguns costumes americanos. Mas para o sociólogo Israel Pinheiro, os ataques que aconteceram aqui não são uma forma americanizada, visto que, o contexto sócio-histórico de um para o outro são bem diferentes. </p>

<p>O sociólogo relata que isso se dá pelos discursos de ódio que são propagados cada vez mais rápido e em mais lugares. </p>

<p>“O que acontece é que na medida em que a gente vai se deparando com uma sociedade cada vez mais intolerante e baseada em todo o conjunto discursivo de ódio, principalmente, o que se constituiu nos últimos anos, acaba se efetivando práticas desse formato na população, que cada vez mais se aproxima de aspectos para reproduzir determinados comportamentos”, explicou.</p>

<p>Segundo Israel, os discursos de ódio visam “melhorias” sociais ou na população, espalhando que para isso aconteça, determinados grupos sociais devem ser eliminados. Esses discursos não acontecem de hoje e desde sempre “eliminam” grupos sociais considerados inferiores ou “sujos”, como aconteceu com os judeus.</p>

<p>O sociólogo diz que cada ataque acaba influenciando o outro, principalmente, porque as redes sociais acabam se programando para aparecer conteúdos relacionados aos ataques, já que os algoritmos gravam rapidamente as pesquisas mesmo que você as faça apenas uma vez.</p>

<p>“Esses ataques podem sim influenciar o comportamento dos brasileiros, e se nós não começarmos a mudar nossas políticas públicas educacionais sociais, voltar nossas preocupações para construção de um plano e uma política pública que para reduzir esse discurso de ódio, com esses aspectos históricos da sociedade, discussão sobre direitos humanos sobre direito de populações, principalmente, as minorizadas e todas essas questões, a tendência é que a gente continue presenciando situações como essas”, finalizou.</p>

<h2><strong>Redes Sociais e Propagação do Discurso de Ódio</strong></h2>

<p>Que as redes sociais influenciam no comportamento da população isso é realidade, mas, nos últimos anos, o que se tem visto são cada vez mais jovens tendo acesso a elas e pior, tendo acesso a conteúdos que podem ser considerados perigosos. Além de tudo, o ambiente onde mais é propagado o discurso de ódio é nelas.</p>

<p>Na segunda-feira (10), o Ministério da Justiça se reuniu com representantes das redes sociais Youtube, TikTok, Meta, Kwai, Whatsapp, Twitter e Google, afim de discutirem maneiras mais eficientes de combater perfis que fazem apologia a ataques como os presenciados ultimamente, mas, a postura da plataforma Twitter, agora dirigida por Elon Musk, chamou atenção das autoridades.</p>

<p>Isso porque a plataforma se recusou a retirar do ar perfis com esses conteúdos alegando que eles não violam a política da rede social. A declaração irritou o ministro da Justiça, Flávio Dino. </p>

<p>O Ministério anunciou que vai notificar as redes sociais exigindo mais rigidez, eficácia, discernimento e colaboração em relação  ao atendimento dessas solicitações. </p>

<h2><strong>Como escola e pais devem agir</strong></h2>

<p>Geralmente, pessoas que fizeram esses ataques já apresentavam comportamentos suspeitos e  alguns a escola até chegou a notificar os pais e vice e versa. A psicóloga Deborah Pacheco, a psicoeducação é de responsabilidade dos pais e escola que juntos devem dar a essas pessoas segurança e ensinar o gerenciamento de suas emoções. </p>

<p>“O isolamento social e a mudança de humor é o primeiro sinal de pedido de socorro de uma criança/jovem, alguns locais passam a ser evitados através de uma postura de tristeza ou agitação, cabe aos pais ou responsáveis, através do diálogo acompanhar e ensinar a criança a gerenciar suas emoções diante de conflitos”, explicou.</p>

<p>O ambiente escolar é o primeiro contato que a pessoa tem com a vida fora da convivência dos pais e familiares, então, é preciso que os dois lados andem juntos e atentos. Com os constantes ataques, não só as crianças e professores que foram atacados devem ter um acompanhamentos mais de perto, mas, também, todo o corpo escolar que acaba sofrendo as consequências desses atos, consequências essas que podem ser desde ataques de pânico até o abandono escolar.</p>

<p>“Aos pais é preciso buscar ajuda profissional para acompanhamento dos danos emocionais gerados como foi percebido no relato de alguns jovens, como ansiedade, ao ir para escola, apresentada através da tensão nervosa e a busca constante de informação, outra é acompanhar a vida escolar do filho, olhando mochila, acompanhar amizades, se introduzir na vida do filho ativamente, os afazeres diários e responsabilidades devem fazer parte da educação de uma criança”, disse Pacheco.</p>

<p>A psicóloga também explica que o ambiente escolar deve fazer a observação e gerenciamento das demandas emocionais primárias, através do acompanhamento multiprofissional, se tornar um ambiente acolhedor através de atividades inclusivas e atrativas aos jovens, o acompanhamento do gerenciamento emocional deve ser realizado em conjunto com os pais, buscando fortalecer na criança a importância do bem estar e qualidade de vida social.</p>

<h2><strong>Poder Público e o posicionamento contra ataques</strong></h2>

<p>Com os ataques sendo constantes em diversas regiões no país, o Governo Federal decidiu agir para tentar acabar com essa situação e trazer mais segurança para a população. Foi criado um canal de denúncias para receber informações sobre possíveis ameaças a escolas: o Escola Segura. A plataforma permite que as denúncias sejam investigadas de forma mais rápida e eficiente.</p>

<p>O usuário, assim que notar ameaças a ataques ou conteúdos na internet com apologia ao crime, pode realizar denúncias, de maneira anônima, que as informações enviadas serão mantidas sob sigilo. </p>

<p>É importante que o denunciante insira o maior número de informações possível, como forma de facilitar a análise da ocorrência. No campo "Página da internet" o denunciante deve informar o endereço eletrônico da postagem que contenha a ameaça. No campo "Comentário", deve ser preenchido com as informações relevantes da ocorrência, como o município, estado, escola da denúncia e mídia social de origem da ocorrência.</p>

<p>Em caso de emergência, deve-se entrar em contato com o 190 ou delegacia de polícia mais próxima. </p>

<p>Os dados enviados serão analisados por uma equipe de 50 policiais do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Diretoria de Operações Integradas e Inteligência (Diopi).</p>

<p>Como forma de ação imediata, além da criação do grupo para monitoramento virtual, o valor de R$ 150 milhões foi repassado a estados e municípios para o fortalecimento das rondas escolares. </p>

<p>Já no Amazonas, o governo anunciou uma série de medidas contra a violência nas escolas, para prevenir e combater todas as formas de agressão no espaço escolar na rede pública de ensino da capital e dos municípios do interior do estado.</p>

<p>Também foi anunciada a criação do Comitê Interinstitucional de Proteção, Monitoramento, Guarda e Segurança Escolas e a implantação do Núcleo de Inteligência e Segurança Escolar (Nise) no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).</p>

<p>A secretária de Educação do Amazonas, Kuka Chaves, informou que o momento é o mais apropriado para a implementação de um núcleo integrado nas áreas da assistência social, segurança e saúde.</p>

<p>“A intenção é de aprimorar e que a gente possa facilitar para que esses alunos, diretores, professores e toda a estrutura estudantil, possa se sentir confortável para falar o que está acontecendo dentro das escolas”, disse a secretária da pasta.</p>

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