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<p>Em 13 de setembro de 1987, dois catadores de materiais recicláveis entraram em uma clínica abandonada, em Goiânia (GO). Lá, encontraram um aparelho de radioterapia e o desmontaram para retirar suas peças, que posteriormente venderam para um ferro-velho. Desmontando mais ainda, o dono do local, Devair, e seus funcionários encontraram uma substância que, no escuro, brilhava em tom azul: o Césio-137.</p>
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<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img src="https://diariodacapital.com/wp-content/uploads/2023/07/capa2.jpg" alt="" class="wp-image-25534"/><figcaption>Reprodução: internet</figcaption></figure>
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<p>Após toda a família de Devair manusear e brincar com a química, a esposa, Maria Gabriela, decidiu levá-la para a vigilância sanitária. De ônibus.<br><br>Dois funcionários do ferro velho morreram poucos dias depois, além de Maria Gabriela e sua filha, Leide das Neves, que comeu a substância. Eles foram enterrados em caixões de chumbo.<br><br>A região entrou em pânico, com mais de 110 mil cidadãos sendo monitorados. Além dos quatro mortos, 249 pessoas tiveram contaminação grave, entre as quais muitas precisaram amputar membros de seus corpos. Outras 1.143 pessoas também foram afetadas diretamente pela substância.<br></p>
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<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img src="https://diariodacapital.com/wp-content/uploads/2023/07/estadio-olimpico-1.jpg" alt="" class="wp-image-25535"/><figcaption>Reprodução: internet</figcaption></figure>
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<p>Os responsáveis pela clínica abandonada foram acusados de homicídio culposo, e o ferro velho foi concretado, assim como todos os resquícios do Césio, que estão em uma área isolada do estado de Goiás.<br><br>Além dos problemas físicos, muitas vítimas desenvolveram problemas de saúde mental, e Goiás precisou criar o Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (CARA), para acompanhar essas pessoas.<br></p>
<h2>CÉSIO ROUBADO</h2>
<p>O Césio-137 é um isótopo radioativo artificial do metal alcalino césio, com meia-vida física de cerca de 33 anos. Localizado no sexto período da tabela periódica, é extremamente reativo e tem inflamação espontânea em contato com o ar.<br><br>Na última semana, o Brasil entrou novamente em alerta por conta da substância: duas fontes de Césio-137 foram roubadas de uma mineradora em Minas Gerais. A Polícia Civil e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) já estão investigando o caso, que tem risco iminente de causar um acidente parecido ao de Goiânia, apesar de a quantidade desaparecida ser menor.</p>
