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Brasil deve pagar mais de R$ 4,28 bilhões a organismos internacionais até o final do ano

Cerca de metade desse valor diz respeito a dívidas acumuladas em anos anteriores.

Escrito por
Thiago Freire
April 15, 2023
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<p>De acordo com informações divulgadas em uma nota conjunta pelos ministérios do Planejamento e das Relações Exteriores, o Brasil deve efetuar o pagamento de mais de R$ 4,28 bilhões a organismos internacionais até o final deste ano. Cerca de metade desse valor diz respeito a dívidas acumuladas em anos anteriores.</p>

<p>O governo brasileiro tem se empenhado em equacionar essas dívidas, contribuindo para a plena retomada da atuação brasileira na esfera internacional. Nos 100 primeiros dias do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foram pagos R$ 526 milhões a organismos internacionais com atuação em áreas consideradas prioritárias para a política externa brasileira, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização Mundial do Comércio (OMC), a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e o Tribunal Penal Internacional (TPI).</p>

<p>Também foram quitadas contribuições destinadas à Secretaria e ao Parlamento do Mercosul, ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e à Organização Internacional para as Migrações (OIM).</p>

<p>O interesse do Brasil em dialogar com outras nações reflete uma das linhas de atuação da política externa empreendida pelo Ministério das Relações Exteriores nos mandatos anteriores de Lula, quando o Brasil chegou a mediar uma tentativa de estabelecer um acordo nuclear entre o Irã e a Organização das Nações Unidas.</p>

<p>Durante participações em fóruns internacionais já neste terceiro mandato, Lula e seus ministros, como Fernando Haddad (Fazenda), têm se posicionado a favor da interação com líderes de outros países em desenvolvimento. Sob influência do assessor especial Celso Amorim, que foi chanceler no primeiro mandato do petista, o governo vê encontros dessa natureza como oportunidade para atrair investimentos e reestabelecer a liderança brasileira na América Latina, por exemplo.</p>

<p>Vale ressaltar que a postura adotada durante o governo de Jair Bolsonaro foi bem diferente. Entre 2019 e o fim de 2022, o país esteve ausente de fóruns internacionais e o governo buscava alinhamento ideológico com figuras políticas como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro húngaro, Víktor Orbán.</p>

<p>Com a mudança de governo, o Brasil busca se reaproximar de outros países e fortalecer suas relações internacionais. O pagamento das dívidas com os organismos internacionais é mais um passo nessa direção.</p>

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