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Wilson Lima comemora a antecipação do 13°, professores reivindicam data-base

Educadores associam a falta de diálogo do Governo do Amazonas a um pesadelo.

Escrito por
Rhyvia Araujo
May 1, 2023
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<p>O silêncio do Governador do Amazonas impera quando o assunto é o reajuste salarial de 25%, referentes às datas-bases de 2022 e 2023, conforme relatos de servidores estaduais do Amazonas. Eles associam a falta de diálogo a um pesadelo, fato agravado pela ausência de representantes governamentais na audiência no Ministério Público do Trabalho, na última semana. Para avaliar a dimensão das dificuldades enfrentadas por esses servidores, foram ouvidos pela reportagem os Sindicatos e Professores lotados na Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas (SEDUC). Preservamos a identidade de alguns entrevistados pelo receio generalizado de retaliações contra quem aponta sérios problemas na atual gestão do Governo do Amazonas.</p>

<p>Professores indicam um extremismo no que é propagado nas redes sociais do governador Wilson Lima, comparado ao que realmente estão vivenciando. A prova disso, segundo relatos, é a “maquiagem” que Wilson Lima fez no Dia do Trabalhador, nesta segunda-feira, 1. Nas redes sociais, Lima comemorou anunciando que o pagamento da primeira parcela do 13º salário para os servidores públicos do Estado, será feito nos dias 11 e 12 deste mês.</p>

<p>“Essa é uma forma de reconhecer o trabalho dessas pessoas que se dedicam a servir e a melhorar a vida do povo do nosso estado.” disse o governador, em vídeo publicado no Instagram. Por outro lado, basta ler os comentários na publicação para ter acesso a indignação dos internautas amazonenses.</p>

<p>“Valorizar o trabalhador é dar a ele seus direitos, pare de nos enrolar Governador, e nos dê a nossa data base, mostre seu verdadeiro comprometimento com o Servidor Público”, comentou um dos usuários. "Queremos que nossa data-base seja cumprida! Chega! O senhor disse estar aberto ao diálogo, o que não é verdade. Respeite o professor!”, destacou outro.</p>

<p>Entre “13° não é prêmio, é direito”, e “cadê a data-base?”, a antecipação do 13° é visto como “estratégia de manipulação”.</p>

<p><strong>Primórdios da crise</strong></p>

<p>A reportagem consultou o professor e diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), Alfredo Rocha, onde explicou que a categoria sente os impactos do congelamento há dois anos e pontuou falhas no discurso de Wilson Lima durante a sua campanha eleitoral. Sobre a antecipação, Rocha analisa que existe outro viés: “ele anuncia o adiantamento do 13° salário exatamente para mascarar essa situação”, iniciou.</p>

<p>“O governador em sua propaganda eleitoral declarou que não deixaria de valorizar os trabalhadores da educação, entretanto, o que se ver na prática é o desrespeito do governador em não chamar a categoria para o diálogo e negociação, visto que, a data base de 2022 e 2023 que é lei, já está vencida e isso é não valorizar os trabalhadores”, explicou.</p>

<p>Segundo Rocha, a pauta de reivindicação da categoria não fica somente na “reivindicação da atualização da data base, mas tem a progressão por titularidade e tempo de serviço que está congelado, bem como o vale alimentação, auxílio localidade, ampliação do plano de saúde para aposentados”, ele completa afirmando que todas as tentativas de diálogo, até o momento, foi um fracasso: “Já tentamos por vários meios o diálogo com o governo e não somos atendido, fomos recebidos na casa civil para entregar nossa pauta, foi prometido resposta para o dia 27 de Abril e não obtivemos sucesso”.</p>

<p><strong>“Governo autoritário e fascista”</strong></p>

<p>O Coordenador Jurídico do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (AspromSindical), Lambert Melo, equivale a atual gestão de Lima a um governo bolsonarista, e que “ojeriza às entidades sindicais e trabalha para que as mesmas não existam”. Segundo Melo, sem o cumprimento da data-base, a categoria fica à mercê das promessas de Wilson Lima. “O objetivo dele é desmoralizar a categoria para que a mesma fique dependente da bondade do governador, ao mesmo instante que enfraquece as entidades sindicais e não tenha mais visibilidade. Infelizmente nós estamos diante de um governo autoritário e fascista”, afirmou o coordenador.</p>

<p>No ano passado, o sindicato deu entrada em uma ação judicial para exigir que o governador pague a data-base. Mas, segundo Melo, nem mesmo a Obrigação de Fazer foi sentenciada. “Solicitamos que a Justiça determine ao Governo, e que ele cumpre a lei. Essa ação já completou aniversário, e está pronta para ser sentenciada há mais de quatro meses e o juiz, responsável pela ação, não faz a sentença”, enfatizou.</p>

<p>Com a falta de assistência, outro ato público será realizado pela categoria nesta próxima quarta-feira, 3, às 8 horas, na sede do Fórum Henoch Reis. Além disso, uma nova Ação de Obrigação de Fazer, cobrando o reajuste, será protocolada pelo Sindicato.</p>

<p>“Nós vamos fazer esse protesto no Tribunal de Justiça para exigir que haja a sentença o mais rápido possível. Ao mesmo tempo, vamos também estar dando entrada a uma nova ação de obrigação de fazer cobrando o pagamento da data-base deste ano”, concluiu.</p>

<p><strong>Prática do “cala boca</strong>”</p>

<p>Diariamente, professores da rede estadual do Amazonas têm enfrentado desafios e momentos dramáticos. Uma das professoras ouvidas pelo Diário da Capital afirmou que a ausência de diálogo entre o governo de Wilson Lima e classe de trabalhadores da educação do estado do Amazonas “é prejudicial em várias esferas”. De acordo com ela, existe um jogo de prejuízos acontecendo, enquanto o Governo e os segmentos de administração educacional “fingem que a educação do estado está bem”. Além do congelamento da data base, nas escolas falta segurança e até mesmo o básico para garantir o conforto de alunos e professores.</p>

<p>“Os professores estão adoecendo dentro de seus espaços de trabalho e ninguém fala nada sobre isso, péssimos salários, péssimos espaços para desenvolver suas atividades. Então quando o professor se ausenta para uma manifestação em prol de seus direitos, nesse momento somos vistos pelos agentes administrativos como empecilho ao desenvolvimento educacional do Estado, pois estamos atrapalhando a educação dos alunos. É uma inversão de responsabilidades. A escola é invadida, crianças estão sendo mortas, as lâmpadas queimadas, o ar-condicionado não funciona, fossas estouradas, os materiais que nos é destinado é risível. Mas é a ausência do professor em sala de aula que prejudica a aprendizagem. E dentro desse jogo de notícias é feita a manipulação da opinião pública sobre a luta dos professores”, afirmou.</p>

<p>Ela também elencou críticas sobre a ‘comemoração’ da primeira parcela do 13° salário, pois “há pessoas que acreditam que isso é um favor, um benefício e não um direito adquirido. E reafirmo o jogo: “olha eu não converso com vocês, mas eu sou bonzinho, por que antecipei o décimo e isso injetou tantos por cento na economia do estado. Tá vendo vocês são mal agradecidos”. A população faz exatamente essa leitura dos fatos”, frisou.</p>

<p>A educadora ressalta que “a antecipação vai exigir da classe, novas estratégias de luta e comunicação com a sociedade. Lutamos pelos nossos direitos e contra a máquina de informação do estado e todos os aparatos de camuflar e desmerecer todas as ações de oposição”.</p>

<p>O depoimento de outra professora, que trabalha em três horários para garantir o sustento da sua família, também cedeu duras críticas ao Governo: “enquanto profissionais fazemos das tripas o coração, para que nossas aulas se tornem atrativas. Tiramos do bolso, porque na escola só temos o pincel que só dá pra usar duas vezes. Somos cobrados para fazer uma aula exitosa, porém não são oferecidos o básico para a tal. Assim como somos abertos a receber os anseios dos nossos alunos, gostaríamos de ser ouvidos e atendidos pelo nosso governador”, acentuou.</p>

<p>Em linhas gerais, os educadores e representantes dos Sindicatos da Rede Estadual, solicitam que o Governo do Amazonas os “enxergue como seres humanos que precisam ter as suas necessidades atendidas e cumpra com a lei”.</p>

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