Leia Também
Apesar de ter uma base aliada fortalecida dentro da Câmara Municipal de Manaus, o pedido de empréstimo no valor de R$ 600 milhões da Prefeitura de Manaus, foi rejeitado em meio a uma discussão acalorada entre parlamentares nesta quarta-feira (8). O presidente da Casa, vereador Caio André, foi o responsável por desempatar a votação, que contou com 19 votos a favor e 19 contra. O resultado coloca em evidência a deterioração de Almeida junto a CMM.
De acordo com o Projeto de Lei 603/2023, que tramitou em regime de urgência, o empréstimo seria destinado a investimentos nas áreas de infraestrutura, lazer, esporte e intervenções na mobilidade urbana. Os discursos dos vereadores, em sua maioria, tiveram como foco a real necessidade de o Executivo contratar mais uma dívida para o município, considerando que nos últimos três anos, a gestão de David Almeida já havia realizado outros quatro empréstimos, destinados ao Programa de Melhoria da Infraestrutura Urbana e Tecnológica do Município de Manaus (Prominf), somando R$ 1,1 bilhão.
A polêmica, levantada pela oposição, é que estaria faltando transparência sobre o destino exato dos recursos, sendo um ponto de partida para negar o pedido do Executivo Municipal. “Não houve prestação de contas desses empréstimos. Não houve transparência”, afirmou o vereador William Alemão (Cidadania).
“Isso é um recado muito bem dado dizendo que as coisas não estão bem, afinal de contas todos os requerimentos que nós pedimos por transparência não acontecem. Inclusive o próprio presidente da casa votou contra o empréstimo. Talvez nem precisasse, porque como era dois terços, precisava de 27 votos para o projeto continuar e ser aprovado. Muito zum zum na câmara, mas foi bom. Vão falar que nós fomos contra o emprego, desenvolvimento, mas não é isso (...) 4 empréstimos em três anos, não dá! Dizer que isso vai destruir emprego, como o outro vereador falou, é simplesmente desconhecer o que é uma administração pública, tem que ter transparência e planejamento”, disse Alemão após comemorar o resultado. Minutos antes, ele chegou a invocar o artigo 204 do Regimento Interno para que a matéria fosse aprovada somente com o voto de dois terços dos vereadores na sessão, ou seja, 27 votos.
Outro vereador contrário ao empréstimo foi Rodrigo Guedes, que afirmou que a aprovação dos R$ 600 milhões seria “encaminhar um cheque em branco para a prefeitura de Manaus”.
Em seguida, o líder do Prefeito, vereador Fransuá, alegou que “quem vota contrário ao empréstimo está indo contra a população de Manaus”. O parlamentar Gilmar Nascimento foi na mesma linha e destacou irritado que não queria dificultar a capital amazonense com um voto contrário. “Depois não quero ver ninguém reclamando de fumaça, de estiagem, de erosão, de quebra de transporte coletivo. Transparência é feita depois, empréstimo significa um cheque em branco? Pelo contrário, não é esse o argumento”.
