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Vereadores aliados do prefeito David Almeida (Avante) deram fim ao silêncio que reinava na Câmara Municipal de Manaus (CMM) até então os políticos locais se limitavam a comentar sobre a fumaça para discutir sobre assuntos de cunho nacional ou internacional, como por exemplo a mobilização a favor de Israel ou a discussão sobre a criminalização do aborto. A fumaça, que só se amenizou com a chegada da chuva na última sexta-feira, (13), foi tema amplo de debate apenas hoje (16), no entanto, os parlamentares atribuíram a culpa para o Governo Federal e chegaram a isentar o papel de vereador e atuação da Prefeitura de Manaus.
“O que eu tenho percebido é que o Estado e o Município ficaram sem forças para sanar tal problema sobre essa questão das queimadas e sobre a decorrência da fumaça. Graças ao nosso bom Deus que tem misericórdia da nossa cidade, do nosso estado e voltou a chover”, disse o líder do prefeito, vereador Raiff Matos, que ressaltou que a situação alarmante das queimadas está sendo sanada “com a ajuda de Deus”.
Logo em seguida, o vereador pontuou que irá protocolar na Justiça Federal uma ação popular contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por “omissão”. “Eu estou protocolando hoje uma ação na Justiça Federal, através do Ministério Público Federal, uma ação popular na figura do Presidente da República, face à omissão no que tange às queimadas criminosas em nosso estado, em decorrência dessa queimada e a fumaça que cobre a nossa cidade”.
O vereador Kennedy Marques (PMN), que chegou a ressaltar que um vereador não tem o mesmo poder do Executivo, ficou irritado com as cobranças que os vereadores têm recebido recentemente. “Parece que aqui não somos nada, agora por exemplo tem as questões das queimadas e aparece vários portais fazendo críticas, inclusive cobrando da Comissão de Meio Ambiente, cobrando de vereadores, como se os vereadores tivessem o poder do Executivo. (...) Eu tenho a impressão de que esses portais que fazem esses comentários, são portais que são pagos para direcionar a culpa para os vereadores. Ninguém culpa o governo do Estado, ninguém cobra de deputados, mas cobra de vereador”.
Ele completou afirmando que a atribuição de um vereador é apresentar “requerimentos e indicações”. “Qual o nosso poder além disso? O quê que nós podemos fazer? Eu acho muito indevida essas cobranças”.
Já o vereador Prof Samuel (PL), destacou que todos os anos a seca acontece, e que o poder municipal deve se preparar com verbas em 2024. “Nunca existiu um ano que não tenha cheia e que não tenha seca, eu quero dizer que esta é diferente, agora qual é a preparação? O poder executivo precisa pegar uma verba, separar uma verba para que se tenha um celeiro financeiro para abrandar esta situação.
William Alemão, por outro lado, não compartilhou da mesma posição dos demais parlamentares, já que mais cedo na CMM, o político chegou novamente a falar da falta de verbas para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade - Semmas, que também passam por aprovação dos vereadores.
“Uma questão muito importante é o que está sendo feito, em 2020, 2021, 2022 e 2023, menos de 0,3% do orçamento municipal foi destinado para a secretaria. A Semmas vem recebendo menos de R$20 milhões anuais. Como é que ela vai fazer o trabalho de fiscalizar o município inteiro? Eu não estou defendendo a Semmas, eu estou cobrando o Executivo que destine mais verbas”, destacou Alemão.
