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O atual prefeito da capital amazonense, David Almeida (Avante), vem colecionando má relações com parlamentares da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Nesta sexta-feira (24), o vereador Lissandro Breval confessou que não faz mais parte da base aliada de Almeida, após uma série de embates políticos.
Segundo Breval, o discurso de “evolução econômica” do Chefe do Executivo não passou de promessas. As declarações vieram a público durante sabatina do programa “Isso Não é Uma Entrevista”.
De acordo com o parlamentar, a atual situação da Câmara Municipal de Manaus (CMM), com excessivas dívidas acumuladas em meio a pedidos de empréstimos, dificultam o avanço da capital e prejudicam a população.
“Nesse momento difícil, a gente vê orçamento para festas, mas não vê orçamento adequado para desassoreamento de área de risco, por exemplo. Estamos entrando para o quarto ano de gestão municipal. A prioridade não seria obras, infraestruturas? Isso tem que ser questionado. Manaus tem uma capacidade de endividamento pelo seus números. Foi aprovado três empréstimos, mas o que foi feito? Eu acho que a Câmara fez o seu papel, tá aí o resultado, não aprovou os R$ 600 milhões, o momento é de austeridade, tem sim que ter cuidado especial financeira. Eu acredito que Manaus não precisa de empréstimo”, iniciou Breval.
O parlamentar ainda enfatizou que apesar de compartilhar a mesma legenda de Almeida, o partido Avante, ele não poderia “ficar calado”, após os últimos conflitos. Breval relembrou as declarações negativas de David, após o bloqueio financeiro de 23h feito pela Prefeitura de Manaus nas finanças da CMM e considerou o ato como retaliação à recusa de 20 vereadores em não aprovar o empréstimo de R$ 600 milhões.
“Sou do partido do prefeito, eu trabalhei na sua eleição, me elegi pelo Avante, mas a gente precisa separar essa questão partidária. A gente tem que assumir um papel de individualização sem contar com a máquina. Eu não posso, por exemplo, só porque sou do partido do prefeito, ficar calado numa falta de respeito daquela enorme, num rompante de arrogância e ditatorial”, afirmou Breval.
Segundo ele, ainda há possibilidades de um pedido de CPI acontecer. “Eu acho que sim. Hoje nós temos um caso gravíssimo que nunca aconteceu na história de uma Câmara Municipal. Foi bloqueado sim o sistema financeiro, em virtude de uma decisão, foi uma represália, tá claro e isso tá muito fácil de se provar. Tem uma nota inclusive da prefeitura dizendo que bloqueou, mas não pode acontecer. Isso é uma intervenção muito séria. Eu não vejo entraves pra isso (CPI) ser aprovado”.
Questionado sobre a disputa eleitoral de 2024, Breval declarou que não votaria novamente em David Almeida e destacou que o deputado federal Amom Mandel (Cidadania) também não faz parte da possibilidade de voto.
“Não votaria no David Almeida. Trabalhei na eleição do prefeito, ganhamos a eleição com uma promessa de política participativa, pensando em Manaus para o futuro. Eu pensei que a gente fosse fazer uma política para a população, para evolução econômica da cidade, mas não vi isso. Hoje eu não votaria. (...) Não quero que o Amom Mandel seja o próximo prefeito de Manaus. Tive embates muito duros com ele, sendo oposição, alguns posicionamentos difíceis, mas tenho respeito”, disse.
Para ele, o atual deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil) é um candidato em potencial para a prefeitura de Manaus. “A forma como ele (Roberto Cidade) faz política, ele faz diferente, até mesmo pela sua formação, sempre foi empreendedor, além da habilidade política. É um cara que torço pra tá caminhando pra prefeitura, eu votaria nele”.
