Leia Também
<p>No dia 29 de maio, indígenas da etnia Apurinã bloquearam a BR-317, estrada que liga os estados do Amazonas e Acre. A principal reivindicação deles era o asfaltamento no trecho do km 45, pois, segundo relatos, muitos indígenas morreram nas comunidades por não conseguirem se locomover pela estrada em busca de atendimento médico.<br><br>Após alguns dias, o bloqueio começou a afetar municípios do interior do Amazonas, como Pauini e principalmente Boca do Acre, que têm a BR-317 como principal via de abastecimento, uma vez que todo produto comercializado nessas duas cidades vêm do Estado do Acre.<br><br>A população ficou com desfalque de alimentos, medicamentos e até mesmo combustível. No dia 7 de junho, comerciantes de Pauini chegaram a contratar um barco para levar suprimentos para a cidade, mas ele naufragou ao bater em um tronco e toda a mercadoria foi perdida.<br><br>Essa não foi a primeira vez que a rodovia foi bloqueada por manifestantes em busca de melhorias. A BR-317 tem cerca de 200 quilômetros de extensão e existe há mais de 40 anos sob pedidos de melhorias pela população que trafega (e precisa trafegar) por ela.</p>
<h2>DESBLOQUEIO</h2>
<p>No dia 9 de junho, uma Audiência Pública foi realizada em Boca do Acre, onde estiveram presentes as lideranças indígenas da comunidade, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) o deputado Adjunto Afonso, e representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As decisões tomadas foram favoráveis às reivindicações, e no mesmo dia os manifestantes fizeram o desbloqueio da estrada.</p>
<p>“Tomamos várias decisões, entre elas retomar os estudos do licenciamento ambiental, resultando na pavimentação, que era o que os manifestantes queriam. A gente explicou que isso não é da noite pro dia, que isso leva pelo menos uns dois anos, mas nós já vamos começar a trabalhar nisso”, disse Luciano Moreira filho, superintendente do DNIT.</p>
<p>De acordo com Ajunto Afonso, no mesmo dia máquinas já começaram a operar no local para uma manutenção de imediato, e agora os principais objetivos serão buscar recursos para o asfaltamento. O deputado disse ainda que um grupo de trabalho será criado para fiscalizar a obra no local, que tem mais de 40 quilômetros em estado precário.</p>
<h2>CADÊ O TRATOR QUE ESTAVA AQUI?</h2>
<p>Nesta sexta-feira (16), uma semana após o desbloqueio, o Diário da Capital entrou em contato com pessoas que trafegam pela BR-317 e elas relataram que desde o desbloqueio, não viram nenhuma máquina na rodovia para o suposto reparo de emergência.</p>
<p>Um taxista que trafega constantemente pela estrada e que preferiu não se identificar, passou pela pelo km 45 pelo menos cinco vezes desde a liberação, e informou que não viu nenhuma obra no local. “Até ontem à tarde, nenhuma máquina trabalhando na BR-317. Continua do mesmo jeito, sendo que até o momento a situação da mesma só piora”, disse.</p>
<p>O DC também questionou o deputado Adjunto Afonso, mas até o fechamento desta matéria assessoria não respondeu, a Funai e o Ibama também não.</p>
<p>Em nota, o DNIT apenas reafirmou que “se comprometeu a realizar todos os estudos junto aos órgãos competentes para que seja obtido o licenciamento ambiental. A previsão para concluir a obra de pavimentação da BR-317/AM é até o verão de 2025”.</p>