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<p>Após muito debate e polêmicas, a prefeitura assinou na última segunda-feira (19) a ordem para adequação e adaptação do novo terminal de ônibus, o T6, localizado no bairro Lago Azul, zona Norte da cidade. Além de atender o transporte urbano coletivo, o lugar também será o novo Terminal Rodoviário de Manaus.</p>
<p>Apesar de ser descrito como algo maravilhoso e inovador, o projeto não agradou muita gente, principalmente os usuários da atual Rodoviária, que veem como transtorno sua saída da avenida Mário Ypiranga Monteiro, no bairro Flores, zona Centro-Sul.</p>
<h2>PRIMEIRA PARADA: PARAÍSO</h2>
<p>De acordo com a prefeitura, o novo espaço, que é resultado de uma parceria com o governo do Amazonas, irá oferecer uma série de serviços essenciais à população, como qualidade, segurança e conforto aos usuários do transporte coletivo urbano, interestadual e internacional.</p>
<p>“Nós estamos transformando esse terminal em uma estação rodoviária. Em toda grande cidade é preciso ter um grande aeroporto e uma rodoviária que integram as pessoas que chegam e, nessa parceria da prefeitura com o governo do Amazonas, nós temos a oportunidade de dar a ordem de serviço para uma obra que vai durar até 12 meses. Além disso, as linhas vão continuar atuando aqui, e nós vamos tornar esse local um local comercial, vamos ampliar serviços, e tornar essa uma rodoviária digna da cidade de Manaus”, assegurou o prefeito David Almeida.</p>
<p>Entre os benefícios anunciados estão: ampla área de embarque e desembarque, serviços públicos, restaurante, praça de alimentação, guichês para venda e compra de passagens, aproximadamente 100 vagas de estacionamento, 18 lojas, correios, área administrativa, juizado de menores, depósito, cabine para envio e recebimento de cargas, e paraciclos.</p>
<h2>SEGUNDA PARADA: LIMBO</h2>
<p>Há anos, os usuários da Rodoviária reclamam de sua situação precária, sempre pedindo uma reforma e melhoria do local. Porém, em vez de reformar, os órgãos responsáveis aproveitaram a obra do T6 e decidiram mudar o Terminal Rodoviário de lugar, saindo de uma parte central da cidade e indo para um extremo.</p>
<p>A distância entre a atual Rodoviária e o Porto da Ceasa, que liga Manaus à BR-319, é de cerca de 18km, e após a mudança a distância será de 31 km até o T6. Já entre a Ponte Jornalista Phelippe Dao (mais conhecida como Ponte Rio Negro), que dá acesso à AM-070, a atual distância é de 22km, e após a mudança passará a ter 44km.</p>
<p>Para Islene Rodrigues, que constantemente viaja pela BR-319, a mudança não é satisfatória.</p>
<p>“Pra mim não vai ser bom, porque eu viajo pela BR-319 e com certeza a passagem vai se tornar mais cara. Eu preferia que reformassem a rodoviária atual porque fica numa localização boa, no meio, fica bom pra todo mundo, tanto quem viaja pela BR-174, quanto quem viaja pela BR-319”, disse Islene.</p>
<p>Ela ainda destaca que o novo ponto é um lugar perigoso e violento, e tem medo de possíveis roubos. “Vai ser misturado com outras linhas de ônibus e a localização não é legal, eu não gosto. Sem contar na bagunça e nos roubos que vão ter.”</p>
<p>Sobre a reforma, a usuária sugere que já que vão trocar de lugar, que levassem para o Aeroporto Eduardinho Terminal II, que foi desativado em 2017. Enquanto deputado e presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em 2018, o prefeito David Almeida teve a mesma ideia, e chegou a apresentar a proposta, mas não foi para frente.</p>
<p>A respeito da mudança, que vai custar R$ 13 milhões e 12 meses, a prefeitura argumentou que a atual localização da Rodoviária é um dos principais corredores da cidade, e o fluxo de ônibus que entram e saem de lá influencia na via, causando transtorno à fluidez em ambos os sentidos.</p>
<p>Além disso, o diretor-presidente do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), Paulo Henrique Martins, disse que “todos os caminhos da cidade, as ligações rodoviárias chegam mais rapidamente neste local [Lago Azul].”</p>
<p>“E para sair daqui nós vamos ter linhas de ônibus para o Centro e para todos os terminais da cidade dentro do nosso sistema. Com isso, a gente consegue levar qualidade e também fazer com que seja mais rápido e mais barato para as pessoas, melhorando a condição de trafegabilidade também na cidade de Manaus”, falou Martins, sugerindo que todos os viajantes que chegam ou saem de Manaus façam o percurso pela cidade de ônibus urbano.</p>
<h2>TERCEIRA PARADA: BABEL</h2>
<p>A urbanista Lorena Mota vê o projeto de uma forma positiva, visando a expansão de Manaus através da zona Norte. “Isso gerará em breve novo aumento de fluxo na cidade, e o local que hoje está inserido não terá estrutura para atender futuras demandas”, reforça.</p>
<p>“Quanto à mobilidade urbana, apesar de ser transferido para uma outra zona e a população achar distante, acredito que melhorando o sistema de transporte público, deixando ônibus somente para fazer esse transporte dos terminais (T1, T2, T3 e T4) para a rodoviária, assim como na Ponte Rio Negro e Porto do Ceasa, incluindo aeroporto, irá ajudar as pessoas que utilizam desse transporte, assim como ocorre na cidade de São Paulo”, explicou Lorena, que também acha benéfica a junção com o T6.</p>
<p>O engenheiro civil Fábio Bento partilha da mesma opinião. Para ele, a atual localização da Rodoviária assistiu ao crescimento desordenado e também ao aumento da demanda, entretanto ficou ausente a atualização desse importante equipamento público para a prestação do serviço à população. “Vejo como positiva a mudança do local, pois a malha viária local tem dificuldade de continuar aceitando o tráfego de veículos de grande porte”, disse.</p>
<p>Fábio analisa ainda que as adequações poderão acomodar uma maior gama de serviços além de, tecnicamente, haver espaço para que a infraestrutura consiga permitir a trafegabilidade de veículos de grande porte sem prejuízo à fluidez do escoamento como atualmente ocorre.</p>
<p>“Isso fora o fato que, no local antigo, a inclusão de outros serviços (lojas, serviços de agências públicas, bancos entre outros) era feita (quando existia) de maneira precária e desconfortável ao usuário final. Nesse modal (rodoviário) é necessário que Manaus possa oferecer uma maior integração aos passageiros - tanto de chegada quanto de partida - e, ter um local onde, com as alterações previstas atue, principalmente, na otimização dos deslocamentos dos veículos - de qualquer origem como no transporte intermunicipal, por exemplo - de modo a permitir sempre um trânsito seguro e eficiente”, finaliza.</p>