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Professores em greve no interior

De acordo com o Sinteam, 52 dos 62 municípios estão fazendo parte do movimento.

Escrito por
Letícia Misna
May 27, 2023
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<p>Há mais de uma semana, professores da rede estadual de educação estão em greve para reivindicar melhorias trabalhistas e aumento do salário em 25%, frente aos 8% que o governo Wilson Lima ofereceu. Em Manaus, cerca de 70% das escolas estão paradas, e no interior, conforme dados do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), 52 dos 62 municípios aderiram à greve. </p>

<p><em>O Diário da Capital conversou com professores de Lábrea, Pauini, Manacapuru e Envira para ouvir suas reivindicações.</em></p>

<h2>LÁBREA</h2>

<p>Localizada a 865 quilômetros de Manaus, Lábrea possui cerca de 47 mil habitantes e cinco escolas estaduais. Com 100% dos profissionais paralisados, os docentes reivindicam, assim como nos demais municípios, 10,54% de reajuste salarial referente a 2022, aproximadamente 7% referente a 2023 e 7,56 % de retroativo do reajuste de 2020 e 2021.</p>

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<p>Os professores pedem ainda reajuste de 50% no auxílio alimentação, 100% no auxílio localidade, progressão por titularidade e tempo de serviço atrasado desde 2018, além de plano de saúde para aposentados, manutenção do plano de saúde para trabalhadores ativos com cobertura de atendimento para capital e interior, e revisão do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR).<br><br>Fora as reivindicações, eles também relatam as dificuldades enfrentadas no dia a dia em sala de aula. “No caso de Educação Física, a Seduc não disponibiliza material para aulas práticas, pincel e tinta para quadro branco. Muitas vezes é o professor que tem que comprar”, desabafa o docente de Educação Física Jenilson Marinho, que trabalha há 13 anos na rede estadual.</p>

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<h2>PAUINI</h2>

<p>O município de Pauini tem em torno de 19 mil habitantes e fica a 925 quilômetros da capital. A cidade possui duas escolas estaduais e as mesmas reivindicações referentes a data base e condições trabalhistas. </p>

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<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img src="https://diariodacapital.com/wp-content/uploads/2023/05/WhatsApp-Image-2023-05-28-at-10.37.30.jpeg" alt="" class="wp-image-22514"/><figcaption>Imagem enviada pelos manifestantes ao Diário da Capital</figcaption></figure>

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<p>Os professores também reclamam sobre o abandono por parte da Seduc e a falta de recursos pedagógicos básicos, como computador e impressora. “Quando tem papel, não tem tinta”, relata a professora de Geografia Emídia Gaiozo Ybarra, docente há mais de 20 anos.</p>

<p>Ela conta que as duas escolas estão paradas, e que apenas os colegas contratados estão indo dar aulas para os poucos alunos que comparecem. “O quadro docente maior é efetivo e todos estão em greve”, ressalta.</p>

<p>O professor de Biologia Janilson Oliveira, há 23 anos trabalhando com ensino, diz que se sente desrespeitado “pelo governo que, em campanha política, pregou a valorização da classe e hoje os coage com falsos contracheques”.</p>

<p>“A educação ainda é o agente transformador do mundo e da sociedade. Governador, faça seu papel de governo, e não de menino. Parece que o senhor está brincando com crianças. Somos professores honestos que trabalhamos todos dias, muitas vezes doentes para não deixar nossas crianças a sós”, lembra Janilson.</p>

<h2>MANACAPURU</h2>

<p>Manacapuru faz parte da região metropolitana de Manaus, e fica a apenas 84 quilômetros da capital. Possui doze escolas estaduais e quase 100 mil habitantes.</p>

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<p>Além das principais pautas, a professora de Língua Portuguesa e Literatura, Edzélia Moreira, fala da infraestrutura dos espaços educacionais, como o caso da escola Nossa Senhora de Nazaré, locada em um prédio histórico, alugado, e que precisa de uma reforma especializada. Ela conta que o governo apenas mandou uma equipe de pintura que, não apenas fez o serviço com alunos e professores dentro das salas de aula, como descaracterizou um monumento importante para a história de Manacapuru.</p>

<p>Docente há quase 15 anos, ela também relata que a sala dos professores estava em estado crítico, e eles mesmos fizeram uma cota para fazer reparos, comprar um sofá e consertar o ar condicionado.</p>

<p>“De que forma nós chegamos à greve? A greve é o nosso último recurso. A última cartada dos trabalhadores. É desgastante para o professor estar na rua. É desgastante para o professor estar na chuva, no sol, e vez de estar sala de aula ministrando aula para os nossos alunos. Mas infelizmente é o que nós temos”, completa.</p>

<h2>ENVIRA</h2>

<p>Fazendo divisa com o estado do Acre, Envira está localizada a 1.206 quilômetros de Manaus e possui 20 mil habitantes. Com quatro escolas estaduais, os professores também lutam pelos 25%.</p>

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<p>No início no movimento, havia 100% de paralisação, no entanto, alguns docentes retornaram por se sentirem coagidos com os descontos aplicados nos contracheques na última sexta (26). </p>

<p>Para a professora de Educação Física Luciana Barbosa, é uma tristeza entregar o tempo de sua vida se dedicando a ensinar os filhos da sociedade e ganhar tão pouco em troca. “Quando se aposenta, ganha uma miséria de gratificação e um salário que não paga nem os remédios que a idade nos impõe”, desabafa.</p>

<p>Além da falta do básico, como pincéis e apagadores, as escolas de Envira também não possuem rede de internet. “O laboratório de informática recebeu computadores no século passado, e desde então os alunos nem entram lá. São quatro computadores antigos, para salas com até 50 alunos e lembre que estamos em plena instalação do novo Ensino Médio, que requer óculos de realidade virtual, internet, materiais para desenvolver podcast e tudo que você possa imaginar de inovações, porém são impossíveis de realizar quando não se tem o mínimo”, diz Luciana que, há nove anos no magistério, também está lotada nas disciplinas de Inglês e Artes.</p>

<p>“O que o Governador está fazendo com a categoria é aterrador, de um cinismo tremendo. Suas falas nas reportagens são repletas de mentiras. Procura sempre jogar a sociedade contra nossa luta, mas nós temos consciência de que o cargo dele é temporário e sendo político irá correr pelo estado inteiro pedindo votos novamente, como diz o ditado: "dor de barriga não dá somente uma vez", e nós sabemos esperar. Gostaria de pedir à sociedade que parasse um pouco para ouvir nosso clamor, somos professores, secretários escolares, merendeiras e serventes que estão pedindo apenas o que nos é de direito, não queremos prejudicar nossos alunos, só queremos que o Governador cumpra sua promessa de campanha, que nenhum professor teria que fazer greve pra ter seus direitos garantidos. Contra o autoritarismo de Wilson Lima precisamos do apoio de todos, pois parece que o Governador não teme a lei, não teme a justiça. Se ele não teme o jurídico, deve temer o povo, que foi quem o colocou lá”, encerra.</p>

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