Matérias
Política

Políticos e economistas repudiam comentarista que chamou ZFM de ‘aberração’

Alexandre Schwartsman comentou na segunda-feira que a indústria está “distante do centro consumidor”, referindo-se à região Sudeste

Escrito por
October 25, 2023
Leia em
X
min
Compartilhe essa matéria
Leia Também

A Zona Franca de Manaus (ZFM) recebeu mais um ataque direto na noite da última segunda-feira (23). Durante a edição do Jornal da Cultura, da emissora TV Cultura, o economista Alexandre Schwartsman afirmou que o modelo é uma “aberração”, pois está distante do “centro consumidor”. A fala preconceituosa gerou reação de políticos e economistas no Amazonas.

Schwartsman é comentarista do programa jornalístico e já foi presidente do Banco Central entre os anos de 2003 e 2006. Em fala sobre os impactos da estiagem para o escoamento de produtos da Zona Franca, ele questionou: “por que diabos a indústria está lá (Manaus) e o centro consumidor está aqui (São Paulo)?”. Em seguida, o economista também chamou a indústria no Amazonas de “infante” e ironizou o tempo de vigência do modelo.

No plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, o deputado federal Saullo Viana (União Brasil) foi o primeiro a sair em defesa do modal. “Nosso país tem dimensões continentais. E, naturalmente, isso traz a questão das desigualdades regionais. A Zona Franca de Manaus emprega mais de 500 mil pessoas, gerou mais de R$ 98 bilhões nos primeiros sete meses de 2023 e desempenha um papel crucial na preservação da Amazônia”, declarou.

O economista e secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) Serafim Corrêa considerou a opinião de Schwartsman desinformação. “Essa pergunta dele pode ser respondida com uma outra pergunta: por que a produção de soja está no Mato Grosso e os consumidores estão na China? É pela mesma razão. São coisas diferentes. O fato de você ter o mercado consumidor não significa que você vai ter o produtor no mesmo lado”, considerou.

Para o advogado e economista Farid Mendonça Júnior, a declaração do comentarista é “infeliz e totalmente alienada sobre a realidade do Estado do Amazonas e sobre a Amazônia”. “Lá atrás, (o modelo) fazia sentido por uma questão de soberania nacional e integração econômica e social da região ao resto do país. Hoje, tem também importante contribuição para a proteção da floresta amazônica e, consequentemente, para o mundo”, disse.

O economista e coordenador-geral do escritório estadual do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Amazonas (MDA), José Ricardo Wendling, destacou o fato da Zona Franca ser um instrumento de inclusão social. “A ZFM tem mais de 50 anos de existência e isso acaba sendo a grande fonte de recurso, de manutenção do Estado do Amazonas. O Brasil teria de proteger, e não ter esse comentário negativo, que parece que aqui não é Brasil”, declarou.

Legislativo reage

“Esse bandido, esse mau caráter!”, exclamou o deputado estadual Sinésio Campos (PT), que exibiu o vídeo da fala de Alexandre Schwartsman na sessão desta quarta-feira (25). “Esse tipo de gente quer arrancar cada moeda, mas eles querem ter a floresta amazônica preservada e esquecem que aqui tem gente, homens e mulheres. Essas figuras querem tirar os incentivos da Zona Franca”, criticou.

Na Câmara Municipal de Manaus, o vereador Lissandro Breval (Avante) protocolou uma Moção de Repúdio às falas do economista da TV Cultura. “Nós temos que combater a qualquer custo essa desinformação quanto a Zona Franca de Manaus”, defendeu Breval, que recebeu subscrição dos vereadores Joelson Silva (Patriota) e Rodrigo Guedes (Podemos).

No items found.
Matérias relacionadas
Matérias relacionadas