Leia Também
<p>Próximo de abrir uma “nova fronteira do petróleo”, o licenciamento para que a Petrobras realize a perfuração de um poço de petróleo no FZA-M-59, localizado na região da foz do rio Amazonas, encontra-se em fase avançada de tramitação. A área que chama atenção da Petrobras, é vista como ponto estratégico para a expansão da produção de petróleo nas próximas décadas.</p>
<p>Após a apresentação dos estudos ambientais, o plano de emergência e uma simulação de resposta a desastres, a empresa aguarda a aprovação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).</p>
<p>Ao longo dos últimos anos, o Ibama vem negando os pedidos de perfuração na Foz do Amazonas, rejeitando os estudos apresentados pelas empresas. A área que abriga os maiores manguezais do Brasil, localizados na costa do Amapá, e vastos sistemas de recifes de corais, foram recentemente descobertos e ainda são pouco conhecidos. A região também possui uma alta sensibilidade ambiental, com ecossistemas únicos que podem ser contaminados por vazamentos ou derramamentos de óleo.</p>
<p>O projeto levanta preocupações de ambientalistas. Especialista em políticas públicas do Observatório do Clima e ex-presidente do Ibama (2016-2018), Suely Araújo, explica que gerir um acidente na região seria complexo. “<em>A área tem correntes fortíssimas que vão na direção da Guiana e da Guiana Francesa. Então se houver um acidente naqueles blocos, em poucas horas, o óleo não está mais em águas brasileiras</em>”.</p>
<p>A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, veio a público e diz tratar “da exploração do petróleo na região da mesma forma que vê a usina de Belo Monte”. Em suas declarações, a ministra não falou abertamente que é contra as perfurações, mas ressaltou que a exploração na área é “altamente impactante”. Marina afirmou que será uma decisão “<em>de natureza técnica, o que não significa que esteja esvaziada de qualquer conteúdo político</em>”. “<em>O que eu posso antecipar é que temos instrumentos para trabalhar que já estão colocados como parte da realidade de um empreendimento altamente complexo e de alto impacto</em>”, disse a ministra. “<em>Não pode ser um licenciamento puramente pontual, é preciso fazer uma avaliação ambiental estratégica e trazer para a mesa todos os elementos, as implicações de um projeto como esse</em>”.</p>
<p>O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a margem equatorial é o “futuro pré-sal” do país. Com a estimativa de que a região teria reservas em torno de 10 bilhões de barris, o ministro disse, ainda, que explorar petróleo e gás na área, é garantir um “passaporte para o futuro das regiões Norte e Nordeste do Brasil”. A expectativa de Silveira é de que o Brasil se torne o quarto maior produtor de petróleo do mundo em 2029, com extração diária de 5,4 milhões de barris de óleo cru – 80% deles vindos do pré-sal. </p>
<p>Está prevista para os próximos dias uma Avaliação Pré-Operacional, um simulado de emergência exigido pelo Ibama. Pode ser a última etapa antes de o órgão ambiental decidir se a petroleira pode dar início à perfuração do poço, chamado de Morpho. Se aprovado, será o primeiro poço perfurado na bacia da Foz do Amazonas e na Margem Equatorial.</p>
