Matérias
Amazonas

O excêntrico mundo dos colecionadores Amazonenses

Colecionadores criam e dão forma às suas coleções.

Escrito por
Rhyvia Araujo
April 25, 2023
Leia em
X
min
Compartilhe essa matéria
Leia Também

<p>O mercado de colecionáveis ​​está em alta e longe de chegar ao fim. Nem mesmo a pandemia conseguiu travar os colecionadores, que continuam adquirindo, de forma expressiva, diretamente, online ou através de feiras, <strong>peças raras e exclusivas nos últimos três anos</strong>. A pesquisa “Survey of Global Collecting in 2022”, realizada pela Art Basel e pelo banco de investimentos UBS, divulgado em novembro de 2022, revela uma perspectiva otimista no mercado vindo exclusivamente de colecionadores.</p>

<p>Segundo o mapeamento que ouviu 2.700 colecionadores de alto poder aquisitivo em 11 principais mercados globais, cada um deles gastou em média cerca de US$ 180 mil em obras só no primeiro semestre de 2022. A quantia é maior do que a de todo o ano de 2021 (US$ 164 mil), superando as médias de 2019, antes da pandemia (US$ 100 mil).</p>

<p>A porcentagem de compras avaliadas em mais de US$ 1 milhão também cresceu: de 12%, em 2021, para 23% – um aumento possibilitado pelo retorno total das vendas de casas de leilões e feiras de arte. Embora o calendário esteja muito mais cheio, o número de feiras caiu 6% em relação a 2019. A exceção foi a América do Sul, que viu o número de feiras de arte crescer – só o Brasil quase duplicou o seu número de eventos do tipo, passando de três para cinco.</p>

<p>Entre carros e moedas antigas, passando por discos, miniaturas ou figurinhas, vinhos e até mesmo NFTs, o universo dos colecionadores é vasto e valioso. Nos próximos 10 anos, o valor global movimentado pelo segmento deve crescer disparadamente de US$ 412 bilhões para US$ 692 bilhões, de acordo com a Market Decipher, uma empresa canadense de pesquisa de mercado.</p>

<p>Através das fronteiras, essa chama arde e respinga no território brasileiro. Nos últimos anos, o colecionismo ganhou destaque no Brasil: multiplicam-se pelo país os encontros de colecionadores dos mais variados itens colecionáveis.</p>

<p>Segundo uma pesquisa realizada pelo galerista Nei Vargas, professor da Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, há um universo considerável de colecionadores no Brasil que costumam investir somas de até R$ 10 mil. De acordo com o pesquisador, 26% responderam que investem até R$ 10 mil por ano, enquanto 29% costumam gastar entre R$ 10 mil e R$ 50 mil e 17% destinam de R$ 50 mil a R$ 100 mil.</p>

<!-- wp:heading {"level":3} -->

<h3><strong>O excêntrico mundo do colecionismo no solo amazonense</strong></h3>

<p>A prática mantida por magnatas demanda disciplina, muita pesquisa e disposição de investir. Mas, engana-se quem acha que a atividade é apenas status e valor monetário. As peças vão além e representam memórias. A partir do momento em que um item integra uma coleção, o objeto passa a ter outros significados, é o que afirma o colecionador e empresário Fernando Moschini. Ele que iniciou a pratica ainda criança, relata que aos 32 anos deixou as miniaturas de carrinhos, para carros de verdade: hoje em dia, Moschini conta com 2 caminhões e 18 carros antigos, entre outros artefatos que enfeitam a sua garagem.</p>

<p>“Você, às vezes, nem sabe que vai ser colecionador. Começa procurando na internet, depois vai em feiras, e quando vai ver já está envolvido com tudo, eu acho que isso começa quando você tem um foco. A minha relação com as minhas coleções é totalmente de paixão, são coisas que eu comecei quando era criança, itens que eu valorizava e não podia tê-los. No momento que consegui comprar, elas passavam a ter um valor diferente pra mim. No meu caso é um hobby, mas um hobby muito sério”, explica o empresário.</p>

<p>Para o praticante, o passo inicial para virar um colecionador é estabelecer e estudar um tema que você goste. “É necessário definir aquilo que você se identifica, tem que ter alguma ligação, porque isso vai te chamar atenção e vai te remeter pra um universo diferente. Você pega uma coisa antiga, mas o que dá valor pra ela? É a referência ou a história que envolve ela. Então você precisa entender e estudar antes de começar”, detalhou.</p>

<p>Apesar de apaixonado pela área, o empresário explica que os custos podem ser elevados. “Hoje em dia é possível colecionar qualquer coisa. Essa questão dos carros antigos, nos últimos anos se valorizou mais, principalmente na época da pandemia. Se você quer realmente entrar nesse meio, um carro tá com um valor um pouco fora, se for pra comparar com um carro novo, os antigos estão quase no mesmo valor, dependendo da raridade”, e completou “comece com algo pequeno, que não vai fazer falta financeiramente, e depois você passa pra outros itens. Porque se você começa com algo caro, a sua coleção pode parar em uma coisa só. O custo da restauração de um fusca, por exemplo, ultrapassa até 100 mil reais”, finalizou.</p>

<p>De fato, um colecionador gasta, em média, R$ 13.400 por ano na restauração, manutenção e operação, R$ 2.900 na participação em eventos de veículos históricos, R$ 640 em outros itens relacionados ao seu interesse em veículos históricos, como mensalidades de clubes, revistas especializadas, souvenirs; e R$ 10.250 na aquisição de veículos. Somando, são R$ 27.200 por proprietário, por ano. Na média, carros clássicos (que respondem por 86% da frota de antigos) custam R$ 129 mil, segundo a última pesquisa da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) realizada em 2020.</p>

<p>Ainda de acordo com dados, um dos ramos mais estruturados no Brasil é o antigomobilismo, nome dado a esse segmento de colecionar carros antigos. Conforme o levantamento da FBVA mostra:</p>

<p>• Existem ao menos 3,2 milhões de veículos históricos (representando 3% da frota de 108 mi de veículos);</p>

<p>• Esses veículos pertencem a cerca de 1,2 milhão de colecionadores (média de 2,7 veículos por proprietário);</p>

<p>• Em média, os proprietários ficam com seu veículo por 11 anos;</p>

<p>• 4 em cada 10 veículos são das marcas VW e Chevrolet;</p>

<p>• O veículo histórico percorre uma média de 779 km/ano, enquanto a motocicleta histórica percorre 361 km/ano;</p>

<p>• Em média, um veículo histórico sai às ruas 18 vezes ao ano;</p>

<p>• A idade média do antigomobilista brasileiro é de 52 anos.</p>

<p>• 79% dos colecionadores são associados a algum clube e 88% frequentam eventos de veículos históricos;</p>

<p>Para o presidente do clube ‘Chevetteiros de Manaus’, Márcio Carvalho,”os clubes ou grupos, hoje em dia, tem um número expressivo de participantes, e isso facilita até mesmo para você encontra peças para o seu antigo, e ajudamos também outra pessoas, por exemplo, se você colocar em algum dos grupos assunto sobre carro ou moto roubado, todos nós entramos em contato com os demais clubes e divulgando o fato”.</p>

<!-- wp:heading {"level":3} -->

<h3>Colecionadores criam e dão forma às suas coleções através de museus</h3>

<p>Fabinho, colecionador e proprietário da Pole Garagem, localizada na rua Cândido Mariano, no Centro de Manaus, acredita que o colecionismo é um prazer próprio. Ele que coleciona variados itens como brinquedos, rádio, televisão, telefones e carros antigos, acredita que o seu relacionamento vai do amor aos itens do passado: “vale a pena colecionar e quem coleciona tem que mostrar”. “Há muito o que se explorar nesse meio. É também uma oportunidade de mostrar para os jovens que é necessário que as pessoas deem valor em como certas coisas foram feitas”, afirmou.</p>

<p>Por gostar e admirar objetos antigos, Wellington Oliva, funcionário público federal do Amazonas, destacou que passou de um comprador ocasional para um colecionador quando montou o seu próprio museu e garagem. “Colecionismo me permite resgatar coisas boas do passado”. Carros, motos, bicicletas, louças, LP, vinil, fita k7, telefones, máquinas fotográficas, livros, entre outros, fazem parte do museu localizado no Clube de Campo Ponta Negra, próximo ao antigo Tropical Hotel. Ele fica aberto para visitação, mas é necessário marcar um horário.</p>

<p>Para Wellington, “inicialmente é necessário pesquisar por itens que lhe trazem boas lembranças, explorar o comércio local de sebo, assim como o mercado digital que tem uma vasta gama de produtos. Os custos são relativos, vocês vão adquirindo os itens aos poucos conforme sua disponibilidade financeira, alguns são de baixo custo outros são de custos elevados que variam de acordo com raridade do produto”, finalizou.</p>

No items found.
Matérias relacionadas
Matérias relacionadas