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Médico denuncia descaso da Prefeitura de Manaus contra a população e vídeos repercutem

Os vídeos somam mais de 12,5 milhões de visualizações.

Escrito por
Rhyvia Araujo
May 26, 2023
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<p>Nesta semana, a denúncia de um médico e ativista da inclusão social de Manaus repercutiu nas redes sociais. A polêmica envolvendo a Prefeitura de Manaus, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), teve início após inúmeros casos em que os pacientes deficientes e de baixa renda do Dr. Cleverson Redivo precisaram voltar a seu consultório contando que o benefício público de transporte havia sido negado. De acordo com o médico, o laudo dado pelo próprio profissional não era aceito pelos servidores do posto de atendimento logo na triagem, ainda que atendesse todos os requisitos previstos.</p>

<p>Na tentativa de eliminar essa questão, na última quinta-feira, 25, o médico resolveu ir até o Shopping Phelippe Dauo, onde expôs a situação e confrontou os funcionários. Redivo, registrou o acontecimento e publicou as filmagens na plataforma Tiktok. Em menos de 2 dias, os vídeos somam mais de 12,5 milhões de visualizações.</p>

<p>“O Sinetram estava negando os laudos, e ainda mais incrível de tudo, dizendo que eu estava vendendo laudos para beneficiar pessoas com deficiência e que precisam do laudo. Eles ficam criando dificuldade para liberar o Passa Fácil (benefício de transporte gratuito da prefeitura) para pessoas que precisam se locomover. E agora com o novo valor da passagem eles ficam dificultando ainda mais. E exercem ilegalmente a medicina, porque eles não têm condições de emitir um parecer médico dizendo se o laudo é válido ou não. Não é a primeira vez que isso acontece. Limitam o direito das pessoas!”, disse o médico em vídeo publicado em seu perfil.</p>

<p>Outro problema apontado pelo médico, é que a Lei Orgânica que define os casos de isenção do pagamento das tarifas nos transportes coletivos urbanos, está desatualizada já que é datada de 2011.  "E mesmo que houvesse um corpo médico, a legislação que preconiza a emissão do Passa Fácil é de 2011. E ele está fora do prazo, nós temos a Lei Brasileira de Inclusão que é de 2015 e temos a Lei de Acessibilidade Estadual (AM) nº 241 também de 2015 que versam sobre a realidade do PCD e os mecanismos necessários para essa adequação. A Lei Brasileira de Inclusão não existe para a Prefeitura de Manaus". </p>

<p>Nas imagens, é possível observar que o médico se irrita e grita com os servidores, que na maioria das vezes ficam calados. Em outro momento alegam que a “responsável” está de férias e retorna no dia 5. Ele rebate e indaga a atendente: “ela retorna e até o dia 5 ninguém manda nesse boteco? Ninguém é responsável por tomar uma atitude? Ninguém vai falar nada? Vai todo mundo simplesmente humilhar as pessoas que vem aqui pegar um laudo?”.</p>

<p>Outros funcionários se aproximam e tentam intervir o médico. Ele acaba sendo levado a uma sala reservada, onde conversa com um homem que se identifica como servidor do local. "Eu sou professor de universidade, sou médico-legista. Eu só faço isso. Como ela vai dizer que meu laudo não vale? Não tem lógica isso”, Redivo desabafa conversando com o funcionário em relação aos laudos negados. “As pessoas são humildes, elas não têm condições de pagar para andar de ônibus, não tem o que comer. E, se não conseguem andar de ônibus, não conseguem procurar um emprego. Não é a primeira vez e espero que não aconteça mais nenhuma vez, porque se acontecer eu vou fazer plantão aqui e vou processar todos os recepcionistas por charlatanismo, porque eles não podem dar diagnóstico”.</p>

<p>Em dado momento, a guarda municipal é chamada e diz que está ali "para manter a ordem". O médico, então, se apresenta também como policial civil. Após a troca de informações, Redivo se direciona aos servidores e indica novamente que deseja “falar tecnicamente com a médica responsável do setor”.</p>

<p>O servidor envolvido na confusão faz uma ligação para um possível secretário do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), onde faz uma breve apresentação do médico e do caso. Redivo pega o celular e começa a dialogar com o então secretário marcando uma reunião com o médico. O vídeo encerra com Redivo afirmando que não teve a resposta que esperava, “entraram em contato com o IMMU e falaram com o diretor Naldo. O diretor Naldo disse que vai dar alguma resposta sobre essa sacanagem que fazem com as pessoas com deficiência todas as vezes que elas vêm buscar o Passa Fácil aqui no Sinetram. Essa palhaçada tem que acabar”.</p>

<h2>Consequências</h2>

<p>Nesta última sexta-feira, o médico publicou outros dois vídeos. Em um dos registros, Redivo alerta uma possível ameaça da parte da Prefeitura de Manaus. “Ontem foi um dia muito agitado, de muitas complicações, onde nós lutamos lá no Sinetram pela garantia das pessoas com deficiência, mas nós sabíamos desde o início que isso poderia gerar consequências graves. A Prefeitura domina a maioria dos meios de comunicação, a maioria dos blogs de Manaus, então tenham muito cuidado sobre as informações que vocês vão receber, tentando denegrir a nossa causa”.</p>

<p>No segundo vídeo, o médico registra o momento em que se direciona à Polícia Federal com seu advogado e protocolou uma notícia-crime contra os servidores. “Estou aqui na Polícia Federal, na superintendência do Amazonas, para protocolar notícia-crime contra as pessoas que estão atuando na área médica sem o devido credenciamento e capacitação para fazê-lo”, disse em vídeo.</p>

<h2>Nota de repúdio</h2>

<p>Após a grande repercussão do caso, a Prefeitura de Manaus emitiu uma nota, onde diz que repudia o tratamento dado por Cleverson aos servidores municipais do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e acrescenta que estuda processar o profissional.</p>

<p>"A Prefeitura de Manaus, via Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), repudia a agressão verbal sofrida por um de seus servidores no posto de atendimento do órgão, no shopping Phelippe Daou, na última quinta-feira, 25/5, quando estava em pleno exercício de suas atividades", diz o município.</p>

<p>"Frisamos ainda que o artigo 6º do Decreto Municipal nº 1.128, de 29 de julho de 2011, que regulamenta o artigo 261 da Lei Orgânica do Município de Manaus (Loman), determina que o formulário para emissão do Passe Livre deverá ser preenchido em letra legível por médico especialista integrante do Sistema Único de Saúde (SUS) ou do Serviço Médico Municipal, constando o seu respectivo carimbo, contendo o número do CRM, tipo de deficiência e/ou patologia e CID", acrescenta a nota, que não explica exatamente o motivo pelo qual os laudos dados por Cleverson foram negados. Em consulta no Conselho de Medicina do Amazonas, o médico aparece com o registro ativo.</p>

<p>"O IMMU informa que confere toda a documentação encaminhada para expedição de qualquer benefício. O órgão informa, ainda, que está analisando as imagens e avalia quais medidas judiciais vão ser adotadas referente ao caso", concluiu.</p>

<h2>Críticas aos serviços</h2>

<p>Não demorou muito para que uma série de internautas tecessem críticas ao serviço prestado pelos órgãos. A maioria dos comentários relataram a mesma dificuldade: acessar o benefício da Prefeitura. “Meu filho tem Autismo Leve, estou desempregada, e ele precisa fazer terapias e o benefício foi negado 2 vezes”, aponta uma usuária. “Humilham mesmo, principalmente os mais velhos de casa, fazem a cara de desdém para as pessoas, você está certíssimo, obrigada por ser essa pessoa íntegra”, disse outra.</p>

<p>“Sou PCD com problema na visão, eu com a minha carteirinha de PCD não foi aceito por eles”, comentou outro internauta.</p>

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