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<p>Depois do ciclo de treinamentos e capacitações, realizados pela OIM (Agência da ONU), em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-RR), com o objetivo de treinar membros das comunidades na prevenção e atuação nos casos de malária, os indígenas da Terra Yanomami receberam seus certificados e agora estão inteiramente capacitados para atuarem como microscopistas.</p>
<p>Além das aulas, a Organização forneceu materiais impressos e apostilas sobre as doenças. Para a capacitação e posterior trabalho dos Yanomami, a Hutukara adquiriu 16 microscópios que ficarão à disposição dos novos técnicos. </p>
<p>Sobre o diagnóstico de malária, a OIM também esteve no Polo Base de Xihupi, localizado entre os estados do Amazonas e Roraima, para ensinar a prática de leitura de lâminas e identificação do tipo da infecção, tratamento e o registro dos testes que são realizados casos. O objetivo era fortalecer as próprias comunidades no diagnóstico da infecção e ajudar nos cuidados, uma vez que a localização remota dificulta os acessos a atendimentos de saúde. </p>
<p>As atividades ocorreram com colaboração direta do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI-Y), do Ministério da Saúde, Instituto Socioambiental (ISA), Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-RR) e a Hutukara. Após o fim dos treinamentos, sete indígenas Yanomami de saúde foram certificados como microscopistas e nove, que haviam feito a capacitação anteriormente, receberam certificado de atualização. </p>
<p>“Primeiramente, vou agradecer. Conseguimos construir um caminho para estes jovens da comunidade e outros que futuramente também poderão ser microscopistas. Isso é resultado importante para os Yanomami. Recebemos um produto de muito trabalho. Sonhamos muito com isso. É importante porque eles podem ajudar o seu povo, ajudar nas gerações nas áreas de saúde e proteção. É fundamental demonstrarmos para a sociedade não-indígena a capacidade e inteligência dos Yanomami”, relatou o presidente da Hutukara, Dário Kopenawa Yanomami. </p>
<h2>Manual</h2>
<p>Além dos certificados, a equipe de saúde da OIM entregou o Manual do Microscopista Yanomami para Diagnóstico de Malária, desenvolvido de forma inédita com os parceiros, permitindo maior entendimento sobre a doença e a atuação do profissional no tratamento à doença. O conteúdo é bilíngue, em Yanomae, uma das línguas predominante entre os participantes do curso, e em português. </p>
<p>No manual, o microscopista encontra os temas de ciclo e diferenciação do Plasmodium que causa a doença, técnicas da gota espessa, coloração de lâminas, biossegurança e orientações sobre o preenchimento dos formulários específicos de malária.</p>
