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Jovem do AM que tirou nota máxima em redação do ENEM relata dificuldades financeiras

“Do que adianta tirar notas altas?”

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February 18, 2023
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<p>Rilary, uma <a href="https://diariodacapital.com/estudante-de-itapiranga-tira-nota-maxima-na-redacao-do-enem/">estudante do interior do Amazonas</a> conseguiu a nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mesmo sem acesso à internet em casa, sem cursinho pré-vestibular, apenas com livros emprestados pela escola, conforme o site O Globo.</p>

<p>Rilary Manoela Coutinho de 18 anos é moradora de Itapiranga, a cerca de 340 quilômetros de Manaus. A menina sonha em cursar Engenharia Civil, mas o empenho da jovem não será suficiente para que ela consiga finalmente ingressar na faculdade. Infelizmente, as dificuldades financeiras da família da adolescente não permitem que ela possa morar fora de casa e se dedicar aos estudos.</p>

<p>Rilary tem expectativa de conseguir um bom resultado no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Sua pontuação foi boa e ela acredita que possa conseguir a vaga para o curso, entretanto, a amazonense já sabia que teria dificuldade para ingressar no ensino superior. Além do tempo que levaria, segundo o site O Globo, se não mudasse de cidade, o valor das passagens diárias seria incompatível com a renda da família. </p>

<p>“Antes mesmo de saber as pontuações do Enem, já tinha conversado com a minha família e dito que iria continuar estudando para fazer os vestibulares que são das próprias universidades e tentar ingressar somente em julho. Não consigo agora, no início do ano, por questões logísticas mesmo, como moradia e meio de transporte, iniciar uma faculdade em Manaus.” diz Rilary.</p>

<p>A mesma situação aconteceu com seu irmão mais velho, que mora com ela e com sua avó aposentada. O rapaz teve que trancar seu curso de Engenharia de Software por não ter condições financeiras para continuar durante a pandemia da Covid-19. O irmão foi o primeiro da família a ingressar em uma faculdade.</p>

<h2><strong>Sem acesso</strong></h2>

<p>Rilary explica que por falta da internet, ela estudava pegando livros antigos da escola. A mesma afirma que no interior é difícil chegar materiais para estudo atualizados. “ Quando eu sentia que precisava muito mais de informações sobre determinado assunto ou disciplina, corria para biblioteca da escola e pegava mais livros.” expressou a jovem.</p>

<h2><strong>Outros vestibulares</strong></h2>

<p>A adolescente já havia passado no vestibular da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em 2022, para o curso de Engenharia de Materiais, porém, não conseguiu se deslocar do seu município até o campus para efetivar a matrícula. O preço da passagem, de R$ 78, prejudicaria a renda da família.</p>

<p>Rilary diz, que mesmo com as dificuldades, ela tem muita determinação. ”E vejo que muitas pessoas do interior também tem.” disse. “Às vezes, querem cursar até mesmo cursos menos disputados, mas precisam se deslocar até Itacoatiara e Manaus. Muitas coisas impedem a gente ir para a faculdade. Do que adianta tirar notas altas? Vendo toda essa situação, de se esforçar e mesmo assim não conseguir realizar o sonho de estudar, vai diminuindo muito as nossas expectativas. Me sinto injustiçada.” lamenta Rilary.</p>

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