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Governo poderá alterar metas fiscais dependendo de questões conjunturais

Segundo Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, eventual alteração dependerá de aval do Congresso

Escrito por
Thiago Freire
April 13, 2023
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<p>O Projeto de Lei Complementar do novo arcabouço fiscal terá um dispositivo que permitirá ao governo alterar as metas de resultado primário estabelecidas para seus quatro anos de administração dependendo de questões conjunturais. A medida foi anunciada pelo secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.</p>

<p>Segundo Ceron, a nova regra estabelecerá condicionantes para que eventual mudança ocorra e será necessário aval do Poder Legislativo. “Sinaliza o que o ciclo de governo vai buscar, logo no primeiro ano. Mas ele pode ser adequado a depender do que acontecer. Há algumas condicionantes”, disse o secretário.</p>

<p>De acordo com a nova regra, o governo eleito precisará definir, logo no início do mandato, metas de resultado primário para os quatro anos de exercício, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso o limite seja superado, parte do excedente poderá ser utilizada como “bônus” para investimentos públicos, limitado a cerca de 1/3 do montante previsto para essa despesa no Orçamento de 2023, de R$ 71 bilhões (ou seja, cerca de R$ 24 bilhões).</p>

<p>Já se o resultado vier abaixo da banda inferior, as despesas públicas somente poderão crescer a uma proporção de 50% – e não mais 70% – do quanto as receitas evoluírem no exercício anterior, respeitando um limite mínimo de 0,6% de crescimento real.</p>

<p>O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estabeleceu como compromisso um déficit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, equilíbrio no ano seguinte e superávit de 0,5% e 1% em 2025 e 2026, respectivamente. As metas estabelecidas para resultado primário deverão constar da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), cujo projeto precisa ser enviado todo ano ao Congresso Nacional até 15 de abril.</p>

<p>Ceron argumenta que a definição prévia das metas de resultado primário de quatro anos dá previsibilidade aos agentes econômicos e ajuda o governo no planejamento fiscal de médio prazo.</p>

<p>A medida é vista como importante para a estabilidade fiscal do país, mas há críticas de que a flexibilização das metas pode levar a uma falta de comprometimento fiscal do governo. Cabe ressaltar que a mudança nas metas só poderá ocorrer mediante condições específicas e autorização do Poder Legislativo.</p>

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