Leia Também
O vice-presidente da República Geraldo Alckmin apresentou, nesta quarta-feira (4), uma lista de ações do governo federal para amenizar os impactos da estiagem no Amazonas. Ele esteve acompanhado de uma comitiva de ministros, entre eles Marina Silva, que não escapou de questionamentos sobre a Rodovia BR-319 e sua viabilidade enquanto alternativa de escoamento em cenário de seca.
“No final do governo anterior foi dada a licença prévia. O presidente Lula encaminhou a obra para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para estudos. Como eu costumo dizer, o Ibama nem facilita, nem dificulta. Ele responde aspectos técnicos”, disse a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima. “Se a BR fosse fácil de fazer, nesses 15 anos ela teria sido feita”, avaliou.
Wilson Lima não tocou no assunto durante a coletiva, mas logo em seguida o governo publicou um posicionamento com apelo à reconstrução da estrada.
“Precisamos encontrar um caminho para o destravamento das obras. Aqui eu não falo do ponto de vista econômico, mas sim do ponto de vista social. É o básico para o cidadão: o direito de ir e vir”, declarou.
Medidas
Entre as ações, estão a dragagem do Rio Solimões, localizado entre os municípios amazonenses de Benjamin Constant e Tabatinga. Alckmin chegou a destacar que o equipamento para a operação já está nos locais e que os trabalhos começam ainda nesta quarta-feira, sob coordenação do Ministério dos Transportes, do Ministério de Portos e Aeroportos e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
“São oito quilômetros e R$ 38 milhões em investimento. A outra dragagem deve começar de 15 a 20 dias, no Rio Madeira, na sua chegada ao Amazonas, na foz do Rio Madeira com o Rio Amazonas, uma obra maior. São 12 quilômetros que vão ajudar também na questão da navegação no Rio Madeira”, frisou.
De acordo com o vice-presidente, serão empregados os recursos necessários para auxiliar o povo amazonense no enfrentamento da crise. “O que já tá liberado, as duas dragagens, R$ 138 milhões, é o previsto com os municípios. R$ 30 no Rio Solimões e R$ 100 milhões no Rio Madeira. Os recursos serão os que forem necessários. A gente pode, amanhã, depois de ouvir as lideranças e a comunidade, a gente pode quantificar mais valores”, disse.
Nos municípios que decretaram emergência, será permitida a antecipação do recebimento do Bolsa Família e também do Benefício de Prestação Continuada.
Marina Silva também destacou a urgência de se combater os incêndios na região. “Nós temos duas frentes de incêndio: uma delas é o incêndio por desmatamento, que é mais na região sul do Amazonas, a outra é no entorno da cidade de Manaus, e são incêndios urbanos: queima de quintal, limpeza de quintal, e isso cria uma situação insustentável para a população com prejuízo muito grande principalmente para crianças e idosos”.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, descartou o risco de apagões ao informar que, quando recebeu um comunicado da Agência Nacional de Águas (ANA) alertando sobre o fenômeno climático, no começo de junho, medidas emergenciais foram tomadas antecipadamente, como a estocagem de 169 setores isolados a óleo diesel, e que a pasta já realiza leilões de linhas de transmissão para garantir a segurança energética em todas as regiões brasileiras.
“Todos sabem que nós estamos implementando uma robustez do sistema elétrico nacional. Nós já contratamos R$ 16 bilhões em linhas de transmissão. Semana passada, assinamos os contratos dando ordem de início a essas obras e temos mais dois leilões de linhas de transmissões preparados, R$ 20 bilhões para dezembro e R$ 20 bilhões para março. Garantindo exatamente ao Norte e ao Nordeste brasileiro que possam, com essa robustez, não só transmitir a carga de energia criada, que são energias limpas e renováveis vindas da energia hidráulica e da energia eólica”, destacou.
Na área de saúde, kits e medicamentos estão sendo providenciados de maneira significativa. “A questão mais emergencial é água, alimento e combustível. Então os municípios estão encaminhando ao Ministério da Integração Regional os planos de trabalho e não faltarão recursos para atender a população e fazê-lo através dos municípios”, registrou Geraldo Alckmin.
Além disso, durante a coletiva de imprensa, o vice-presidente destacou que o Ministério da Saúde liberou 240 médicos para Manaus e 540 para o estado do Amazonas, totalizando 680 profissionais à disposição da população nos municípios afetados.
