Leia Também
Os estados da região Norte figuram entre os piores em quatro das cinco categorias da pesquisa do Instituto Trata Brasil que analisa a privação dos serviços de saneamento básico no Brasil. O Amazonas aparece entre os piores na categoria disponibilidade de reservatório e privação de banheiro. Já o Pará configura entre os piores em até três categorias da pesquisa que analisa dados de 2013 até 2022.
A análise foi realizada em parceria com a EX ANTE Consultoria Econômica e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), utilizando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continuada Anual (PNADCA), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2013 e 2022.
Conforme análise feita pelo instituto, do total de 74,145 milhões de casas brasileiras, 8,916 milhões estavam privadas da rede geral de abastecimento de água tratada em 2022, nessas casas viviam 27,270 milhões de pessoas, ou seja, 12,7% da população do país. A pesquisa também identificou que 7,980 milhões de habitações, mesmo tendo acesso à rede geral de de abastecimento de água, não recebiam água com frequência como é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Plano Nacional de Saneamento.
Categorias
A pesquisa mostra os cinco piores estados do país em cinco categorias do saneamento básico analisando a quantidade de moradias e de população. As categorias são
Privação de acesso à rede geral de água: populações que não estão ligadas à rede geral de abastecimento, portanto, privadas do acesso à água tratada.
Frequência de recebimento insuficiente de água potável: pessoas que estão ligadas às redes gerais, mas que não recebem água diariamente ou que não têm as redes como principal fonte de abastecimento.
Disponibilidade de reservatório: são aqueles que não possuem caixas d'água, cisternas ou outro tipo de reservatórios de água potável.
Privação de banheiro: indivíduos que não dispõe de banheiro de uso exclusivo na moradia
Privação de coleta de esgoto: aqueles que não estão ligados à rede geral ou pluvial de coleta de esgoto.
Região Norte
Os estados da região Norte aparecem entre os piores do país nas categorias falta de acesso à rede geral de água; disponibilidade de reservatório; privação de banheiro e coleta de esgoto por rede em geral. O Pará chega a aparecer em até três das cinco categorias chegando a porcentagem de 79,7% (terceiro no ranking) em número de população no tópico coleta de esgoto.
Já o Amazonas figura entre os mais precários nas categorias disponibilidade de reservatório 34,1% e privação de banheiro 8,5 %, sendo este último tópico considerado o mais essencial dos serviços de saneamento e o que mais causa impacto na qualidade de vida segundo a pesquisa. De acordo com a análise do Trata Brasil esse problema afetou 1,333 milhão de moradias no país em 2022, o equivalente a 4,412 milhões de pessoas.

Curiosamente, os dois estados nortistas de Rondônia e Acre, apareceram entre os piores e os melhores em índices percentuais. Os dois estados figuraram entre os melhores na categoria ‘estados com menor privação de disponibilidade de reservatório’ e entre os piores no tópico estados com maior privação de acesso à rede geral de água.

