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Esta semana, veio à tona uma polêmica envolvendo o “Vai Que Cola”, com funcionários da produção acusando o elenco de agressão psicológica e assédio moral. O programa surgiu em 2013 no canal fechado Multishow, e atualmente é exibido na Globo, com o elenco principal formado por Catarina Abdala, Marcus Majella, Samantha Schmütz, Fiorella Mattheis e Emiliano D'Avila.
O estopim para as denúncias teria sido a demissão de André Gabeh, roteirista da atração, no início do mês, que levou os demais membros da equipe a escreverem uma carta denunciando abusos por parte do elenco, que não estaria satisfeito com os textos dos episódios abordando pautas políticas e de cunho social.
ABRA
Na quarta-feira (23), a Associação Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA) publicou uma nota sobre o caso:
“A ABRA vem a público manifestar seu apoio à equipe de roteiristas do programa humorístico Vai que Cola e se solidariza com o roteirista André Gabeh, demitido recentemente. Segundo carta aberta publicada pelos roteiristas do programa, a demissão foi arbitrária e desrespeitosa. Enquanto entidade que zela pela integridade de seus profissionais, a Associação Brasileira de Autores Roteiristas condena toda cultura de medo e opressão que possa existir em ambientes profissionais do mercado audiovisual. O processo de criação de uma obra é um trabalho realizado em conjunto e todos os profissionais envolvidos merecem respeito. É inadmissível que um local de trabalho se torne um local de perseguição e de violência psicológica por parte de outros colegas. A luta da ABRA é para que toda sala de roteiro seja um ambiente livre de práticas tóxicas e esse também precisa ser o compromisso das produtoras audiovisuais e dos canais de televisão. A integridade física e mental dos seus funcionários precisa ser assegurada”.
ANDRÉ GABEH
No mesmo dia, André Gabeh também se manifestou publicamente em suas redes sociais, dizendo que “fingir que nada está acontecendo seria desrespeitoso com pessoas queridas que foram expostas em uma ação que me favorecia. Então vou falar algumas coisas. Devo essa reverência”.
“Primeiro de tudo EU NUNCA ESCREVI NADA POLÍTICO OU MILITANTE EM NENHUM TEXTO MEU DO VAI QUE COLA. Mesmo se eu surtasse e escrevesse algo desse tipo, os meus supervisores tirariam do texto. E como somos orientandos a não falar nada nesse sentido, aí sim eu teria uma demissão justa. Mas repito: NUNCA ESCREVI UMA LINHA POLÍTICA OU MILITANTE para o programa supra citado. Me sinto até honrado por acharem que me demitiram por eu tentar levar reflexão aos textos do programa, mas não tinha esse poder e só queria fazer meu trabalho da melhor maneira possível. Agora, precisamente, nesse momento eu preciso falar uma coisa: obrigado aos roteiristas que se posicionaram diante da injustiça que fizeram comigo. Se posicionaram por empatia, se posicionaram por humanidade, se posicionaram por generosidade e também se posicionaram por se respeitarem, por se saberem valorosos, importantes e relevantes. Se posicionaram em uma carta aberta, lúcida, profissional e objetiva. Falaram por mim, falaram por eles e falaram por vários outros roteiristas. (...) A gente sofre três vezes: na hora em que te cometem a violência, na hora que te dizem "quem é você pra falar de fulano" e na hora que te falam "esquece", "deixa pra lá", "você é melhor do que isso"... Mas essa conversa teremos mais pra frente”, disse Gabeh.
Na quinta-feira (24), André publicou ainda: “Tudo que está acontecendo já não é mais sobre mim. A coisa cresceu absurdamente e as denúncias que agora surgem são de outras pessoas. Não preciso provar mais nada. Graças! Espero que toda essa situação sirva para que nunca mais se desrespeite quem trabalha nos bastidores de qualquer produção audiovisual. Que isso nunca mais aconteça”.
CACAU PROTÁSIO
O nome da atriz Cacau Protásio, intérprete da personagem “Terezinha”, foi citado diversas vezes por internautas como a suposta agressora. Cacau postou um vídeo se defendendo das acusações, em que diz:
“É a última vez que eu vou me pronunciar. Chega. Acabou. Eu não vou aceitar que venham na minha página me agredir. Eu não agredi ninguém. Eu não demiti ninguém. Eu não tenho esse poder. Eu não tenho motivo para gostar ou não gostar da pessoa. Eu não conheço, eu não convivo. Eu não tenho motivo para odiar ou amar. Eu nunca vi. Só na mídia. Nunca foi ao programa. A gente não tem uma relação e não tinha no programa. Quando a gente recebe os textos, não vem escrito quem escreveu. Às vezes a gente até perguntava: "Quem escreveu esse texto aqui?". Mas a gente não sabe. Para vocês saberem. Uma vez a pessoa foi no programa. Entrou por trás e saiu por trás e não falou com o elenco. Então, não é a gente que não gosta, né? Eu quero deixar bem claro aqui que eu não bati em ninguém, eu não agredi ninguém. Eu não entro na página de ninguém para fazer isso. Então, não quero que entrem na minha página para me agredir. Ninguém é obrigado a me amar. Mas também ninguém é obrigado a vir aqui para ficar me agredindo. Acabou. Eu não falo de política. Eu não sou dona da Globo. Eu não admito e nem demito ninguém”.
Até o momento, Cacau foi a única integrante do elenco a se manifestar.
A Rede Globo informou que está investigando o caso.
