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O economista da extrema direita Javier Milei surpreendeu a Argentina ao liderar as eleições primárias realizadas no domingo (13/8). Milei, que se autodenomina libertário, e seu grupo "La Libertad Avanza" lideraram a corrida presidencial com mais de 30% dos votos.
O resultado inesperado deixou para trás as duas forças políticas que governaram o país nas últimas duas décadas: o macrismo ("Juntos por el Cambio"), com cerca de 28% dos votos, e a coalizão peronista-kirchnerista ("Unión por la Patria"), com mais de 27%.
Apesar das pesquisas indicarem cerca de 20% das intenções de voto para Milei, dez pontos atrás das outras duas coalizões, o resultado das primárias o posiciona como favorito para as eleições gerais marcadas para 22 de outubro.
Formado em Economia pela Universidade de Belgrano, Milei tem um discurso ferrenhamente favorável ao livre mercado e é comparado a figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro.
Sua proposta mais conhecida é a dolarização da moeda, visando acabar com a desvalorização do peso argentino. Ele também defende o fechamento do Banco Central e a privatização de empresas estatais.
Durante a campanha, Milei gerou polêmica ao sugerir a liberação da venda de armas de fogo e órgãos humanos. Ele também teve problemas com a imprensa e recebeu críticas por comentários misóginos.
O economista se conectou especialmente com os jovens eleitores, prometendo acabar com o sistema político tradicional que ele chama de "a casta".
Os resultados das primárias também definiram os candidatos que liderarão as duas coalizões que governaram a Argentina neste século.
Do lado do "Juntos pela Mudança" macrista, Patricia Bullrich foi a vencedora. Ela tem propostas mais rígidas, semelhantes às de Milei. Já a coalizão kirchnerista-peronista será liderada pelo atual ministro da Economia, Sergio Massa.
Os principais candidatos nas eleições chegam à disputa com números semelhantes: cerca de 30% para Milei, 28% para "Juntos pela Mudança" (Patricia Bullrich) e 27% para "União pela Pátria" (Sergio Massa). A incógnita é quem conseguirá atrair os votos dos rivais para enfrentar Milei nas eleições presidenciais.
