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<p>Na última quarta-feira (24), ocorreu com urgência na Câmara dos Deputados, em Brasília, a votação do projeto que altera o marco temporal de demarcação de terras indígenas. Entre os parlamentares do Amazonas, estado com o maior número de povos originários, a maioria votou a favor.<br><br>Agora o Projeto de Lei 490/2007, aprovado com 324 votos, segue para o Senado. </p>
<h2>VOTOS DO AMAZONAS</h2>
<p><strong>A FAVOR:</strong> os deputados Átila Lins, Capitão Alberto Neto, Fausto Jr., Saullo Vianna e Adail Filho votaram “sim” para a PL.</p>
<p><strong>CONTRA:</strong> apenas Amon Mandel e Sidney Leite votaram “não”.</p>
<p><strong>AUSÊNCIA:</strong> Silas Câmara não compareceu à votação.</p>
<p><strong>SAULLO VIANNA E BOI CAPRICHOSO: UMA CONTRADIÇÃO</strong></p>
<p>Nascido em Parintins e fortemente envolvido com o festival que evoca a cultura indígena, o deputado Saullo Vianna, que votou a favor do projeto, já foi Presidente do Conselho Fiscal do Boi Caprichoso, e seu pai, Sérgio Vianna, já foi vice presidente do bumbá.<br><br>Em suas redes sociais, o Boi Caprichoso se posicionou abertamente contra o marco temporal.<br><br>“O projeto de lei do marco temporal representa um retrocesso à luta dos povos indígenas, pois considera o ano de 1989 como marco para o reconhecimento da ocupação dos territórios tradicionais, desrespeitando o direito originário à terra. Reiteramos nosso apoio incondicional aos povos indígenas do Brasil. Não vamos nos calar, não vamos aceitar o desmonte das políticas públicas e dos sistemas de proteção dos povos originários”, disse em nota.</p>
<p>Questionada sobre o voto do deputado, a assessoria do Boi disse apenas que Saullo não tem mais relação com o Caprichoso.<br><br>O Diário da Capital também procurou o deputado para entender seu voto, mas até o fechamento desta matéria, ele ainda não havia respondido.</p>
<h2><strong>ENTENDA O PROJETO</strong></h2>
<p>Conhecido como “marco temporal para demarcação de terras indígenas no Brasil”, o Projeto de Lei 490/2007 prevê a adoção da Constituição de 1988 para determinar a posse dessas terras pelos povos originários.<br><br>Ou seja, os indígenas terão direito apenas às terras ocupadas por eles até 1988, o que pode causar uma perda de 63% da ocupação atual. A principal interessada no Projeto de Lei é a bancada ruralista.<br><br>“O Marco Temporal é um genocídio legislado. Uma teoria que inverte toda história do Brasil. Um projeto de lei que atenta contra constituição brasileira. Um atentado ao direito dos povos Indígenas. Um ataque a nossa maior possibilidade de enfrentamento da crise climática, as Tis”, manifestou-se Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, em suas redes sociais.</p>
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