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<p>A seca enfrentada pelo Amazonas em 2022 já é considerada uma das maiores dos últimos anos, segundo pesquisadora do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). O fenômeno extremo tem dificultado a navegação nos rios amazônicos e o abastecimento de mercadorias em diferentes municípios do estado.</p>
<p>De acordo com a Defesa Civil, dos 62 municípios amazonenses, dois estão em situação de emergência, 41 em estado de alerta e outros 19 em estado de atenção, incluindo a capital, Manaus.</p>
<p>Para Luna Gripp, do CPRM, a vazante deste ano já pode ser considerada uma das mais severas dos últimos tempos.</p>
<p>"Em termos de estado, pode-se dizer que sim [é uma das piores secas enfrentada pelo Amazonas. Até porque, [o fenômeno] está afetando muitos municípios", afirma a pesquisadora.</p>
<p>A maior seca da história do estado foi registrada em 2010. Na época, o nível do Rio Negro em Manaus chegou a apenas 13,63 metros. Para se ter ideia, no período da cheia, este rio chega a atingir os 29 metros, na capital.</p>
<p><strong>Municípios em situação de emergência</strong></p>
<p>No município de Tefé, onde foi decretado situação de emergência por causa da estiagem, imagens mostram uma praia enorme no meio do rio Solimões. Dá para atravessar a pé de um lado para o outro.</p>
<p>"Há comunidades isoladas tanto do rio Curimatá, quanto do Rio Tefé e do lago. Essas localidades estão ficando isoladas na questão acessibilidade de embarcação para o acesso de insumo e alimento", afirmou a Defesa Civil.</p>
<p>As embarcações maiores, que abastecem a cidade com mercadorias e alimentos, já não conseguem navegar, outra cidade em situação de emergência é Benjamin Constant, a 1.118km quilômetros de Manaus. Na região, as casas flutuantes estão na terra, e há locais onde o rio virou um córrego.</p>
<p><strong>Mais da metade do estado em situação de alerta</strong></p>
<p>Todo o estado já sente os impactos da seca. Isso porque 41 dos 62 municípios do Amazonas estão em alerta, outros 19 em atenção e dois em emergência.</p>
<p>O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) diz que não há previsão de data, mas que as águas na maior parte do estado ainda devem baixar pelas próximas semanas.</p>
<p><strong>Por que há rios secando no Amazonas?</strong></p>
<p>Assim como a cheia, a vazante dos rios é determinada por diversos fatores. O principal é o volume de chuva. A umidade que sai do Oceano Atlântico é transportada para a bacia amazônica pelos ventos, mas este ano esse "rio voador" não foi suficiente para manter o nível dos rios.</p>
<p>"A temperatura do Pacífico e a temperatura da superfície do mar no Pacífico, ela vai determinar onde essa chuva vai ocorrer de forma predominante. A diferença de temperatura entre os oceanos vai determinar onde vai ocorrer essa precipitação [chuva] e isso é muito importante na determinação dos processos de cheia ou de vazante", explicou Luna Gripp.</p>
<p><strong>Seca afeta comerciantes</strong></p>
<p>Em Manaus, o Rio Negro ainda está baixando uma média de 23 centímetros por dia. Na região onde funciona um restaurante flutuante, a empresária Iolene Luz foi obrigada a fechar o estabelecimento por conta da descida drástica do nível da água.</p>
<p>Com a seca, os clientes precisariam descer uma rampa, caminhar por uma extensão de terra fofa e com lama, para chegar ao o flutuante que já está encalhando.</p>
<p>Iolene chegou a mudar o estabelecimento de lugar no rio, mas como está raso, ela desistiu de abrir o local durante a seca.</p>
<p>“Agora a gente tem aqui bastante sol, aí o rio seca…Até um mês atrás a água estava lá em cima e, de repente, de uma hora pra outra, ele seca. E não tem como trabalhar com essa água barrenta. Quem é que vai querer tomar banho nessa água barrenta, por isso que chega essa época eu resolvo mesmo fechar", disse a empresária.</p>
