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Após um ano das mortes, Bruno e Dom são homenageados por indígenas

As homenagens foram marcadas por críticas ao marco temporal e falta de medidas enérgicas na região do Vale do Javari

Escrito por
Lucas Albarado
June 5, 2023
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<p>A segunda-feira (05) marcou um ano da morte de Dom Phillips e Bruno Pereira, um jornalista e indigenista, mortos enquanto estavam em expedição no Vale do Javari, em Atalaia do Norte, no Amazonas. A data foi marcada por homenagens da família, povos indígenas e de autoridades brasileiras. </p>

<p>Bushe Matís, coordenador da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) disse que nada mudou na região do Vale, e que as autoridades ainda não tomaram medidas mais efetivas. </p>

<p>De acordo com ele, a Polícia Federal e Ministério Público continuam sem um escritório na cidade, os invasores de terras continuam amansando os povos originários, e nenhuma nova base das forças armadas foi anexada na região da fronteira tríplice fronteira, com Peru e Colômbia. </p>

<p>Em Brasília, indígenas, não indígenas e autoridades do governo federal se reuniram no espaço Maloca, na Universidade de Brasília (UnB) para uma solenidade em memória deles. </p>

<p>Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, esteve na UnB e lembrou que Bruno e Dom não são exceções, e infelizmente a morte daqueles que tentam proteger as terras brasileiras é mais comum do que se imagina. </p>

<p>“É fundamental a homenagem que está sendo feita aqui à memória de Dom e Bruno. É como se estivéssemos pagando um tributo por todos aqueles que defenderam a Amazônia, os povos originários e o meio ambiente brasileiro com sacrifício de suas próprias vidas”, disse Marina.  </p>

<p>Uma semana após a aprovação da PL 490/07, sobre o marco temporal da ocupação de terras indígenas, a decisão repercutiu negativamente entre parte da população e foi lembrada durante as homenagens. </p>

<p>Beto Marubo, um líder da Univaja, fez críticas ao poder público, criticou o marco temporal e pediu medidas mais efetivas para a proteção das comunidades.</p>

<p>“É preciso ter a presença do Estado, Funai, Exército, Ibama e Força Nacional. As estruturas da Funai são precárias na região. A Funai está em frangalhos, com organograma desatualizado, e o Congresso esfacelou a atuação do Ministério dos Povos Indígenas. Isso vai acarretar mais retrocesso”, disse.</p>

<p>Ainda durante as homenagens, o canto Wahanararai, entoado por Bruno, foi lembrado por seus amigos e cantado por eles, como forma de lembrar sua devoção a missão que escolheu para a vida.</p>

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