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<p>O Fórum ocorreu entre os dias 03 a 05 de março, na aldeia Taquara, localizada na Terra Indígena Taquara, município de Carauari (AM).</p>
<p>E, teve como pauta “A educação é um direito e tem que ser do nosso jeito”, e contou com a presença de aproximadamente 50 pessoas, entre lideranças, tuxauas (caciques) e integrantes das aldeias Taquara, Matatibem e Bauana.</p>
<p>O evento também contou com a colaboração de professores indígenas, não indígenas, do gestor da escola indígena da aldeia Taquara, do representante da Secretaria Municipal de Educação e da Coordenação Municipal de Educação Escolar Indígena do município de Carauari.</p>
<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“A gente sabe que essa luta, por esse ensino de qualidade, não terminou. Ela continua, tanto para a estrutura da escola como para a contratação de pessoas ou para salários de professores”. </em></p><cite>Professora indígena Nenekam Kanamari</cite></blockquote>
<p>Essa foi uma das constatações feitas pela Nenekam Kanamari, professora indígena e estudante do curso de Pedagogia do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica na Universidade do Estado do Amazonas (PARFOR/UEA), que estava presente no evento.</p>
<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>O objetivo do encontro foi proporcionar formação política-jurídica aos povos Kanamari e Kulina. Assim, eles poderão identificar violações de direitos, e saber a quais instâncias podem recorrer na busca de soluções, com conhecimento, habilidades e mecanismos de articulações interna e externa, para o desenvolvimento de ações de defesa e garantia de seus direitos previstos na Política de Educação.</em></p></blockquote>
<p>Os participantes fizeram uma análise das políticas de educação no Brasil, e entrou em debate o histórico da educação escolar indígena nas aldeias do município. Além disso, conversaram sobre a legislação e estrutura da Política de Educação para os povos indígenas e a atuação da Coordenação de Educação Escolar Indígena.</p>
<p>Durante o evento, a professora Nenekam Kanamari, também relata o histórico de reivindicação que seu povo fez para ter uma escola na aldeia e seus parentes terem direito de estudar:</p>
<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“Não tínhamos escola na nossa aldeia, enfrentávamos lama e por isso fui para a cidade estudar. Somente em 2013 foi construída a escola na aldeia. O que nós temos hoje, conseguimos a partir das lutas que nós fizemos”, disse a professora, emocionada. “Meu choro é de alegria, de uma luta que meus avós, meus parentes fizeram. Os conhecimentos tradicionais deles nos ajudaram a construir e ter nossa escola e outros direitos. Por todo o esforço deles, hoje temos isso como resultado”.</em></p><cite>Nenekam Kanamari</cite></blockquote>
<p>A atividade é uma das iniciativas previstas nas ações do Cimi Regional Norte I, desenvolvida pela equipe do Cimi com o apoio da agência financiadora Málaga. De acordo com o missionário dessa equipe, Raimundo Francisco, disse que a atividade foi preparada de forma articulada com as lideranças das aldeias para proporcionar um espaço formativo e de discussão com a participação de setores do poder público.</p>
<p>Após o evento, os indígenas apresentaram um documento com as reivindicações à luz da legislação que rege a Educação Escolar Indígena como um projeto de vida para os povos Kanamari e Kulina. As propostas descritas no documento serão encaminhadas aos órgãos públicos encarregados de fazer a efetivação das reivindicações.</p>
