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Venezuela acusa Guiana de atitude "arrogante e hostil" após recusa em reunião sobre disputa territorial

Tensões crescem devido à controvérsia sobre reservas naturais na região de Essequibo

Escrito por
Thiago Freire
October 2, 2023
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Neste domingo (01/10), a Venezuela acusou a Guiana de adotar uma atitude "arrogante e hostil" depois que o governo guianês se recusou a participar de uma reunião proposta pelo presidente Nicolás Maduro para resolver a controvérsia territorial entre os dois países. As reservas naturais da região de Essequibo estão no centro das tensões.

A Guiana foi acusada pela chancelaria venezuelana de ser um "governo subalterno, refém da transnacional ExxonMobil", que a impediu de retomar o diálogo soberano com a Venezuela. A Venezuela considera que a posição "arrogante e hostil" da Guiana, negando o diálogo e a diplomacia, é o maior obstáculo para alcançar uma solução.

No sábado (30/09), a Guiana se recusou a participar da reunião de "alto nível" proposta por Maduro, que buscava resolver, por meio da negociação, a controvérsia territorial em Essequibo, uma região de 160.000 km² rica em recursos naturais.

A disputa remonta ao Século XX, mas foi reacendida em 2015 quando a ExxonMobil dos Estados Unidos encontrou reservas de petróleo em frente ao litoral da Guiana. As licitações petrolíferas recentes realizadas pelo governo guianês nas águas em disputa aumentaram ainda mais as tensões.

A recusa do governo guianês está relacionada à sua crença de que a via para resolver a disputa é a Corte Internacional de Justiça (CIJ), que está tratando do caso desde 2018. A Guiana afirmou que não participará de nenhuma evasão da Corte Internacional de Justiça, enquanto a Venezuela defende o Acordo de Genebra, assinado em 1966 com o Reino Unido, que estabelecia bases para uma solução negociada e não reconhecia o limite estabelecido em 1899 pela corte de arbitragem de Paris, defendido pela Guiana.

Nos últimos anos, a Guiana tem experimentado crescimento econômico significativo na região, impulsionado pela exploração de jazidas de petróleo. Estima-se que a produção de petróleo no país possa atingir até 750 mil barris até 2025. Enquanto isso, a Venezuela enfrenta desafios na reativação de seu parque industrial petroleiro devido à falta de manutenção e sanções, principalmente dos Estados Unidos.

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