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Três meninas morrem após ritual de mutilação em Serra Leoa

Os pais das vítimas e aqueles que as submeteram ao procedimento estão sob custódia policial

Escrito por
Redação
February 2, 2024
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A polícia na Serra Leoa está investigando a morte de três meninas durante cerimônias de iniciação que envolviam a mutilação genital feminina (MGF), na região Noroeste do país, em janeiro, de acordo com relatos locais. As vítimas eram Adamsay Sesay, de 12 anos, Salamatu Jalloh, de 13, e Kadiatu Bangura, de 17, 

Aminata Koroma, secretária executiva do Fórum Contra Práticas Prejudiciais (FAHP), uma organização que trabalha para acabar com a MGF no país africano, afirmou que os pais das meninas e aqueles que as submeteram ao procedimento estão sob custódia policial.


VIOLAÇÃO DE DIREITOS FEMININOS

A MGF envolve a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos femininos e é considerada uma violação dos direitos humanos de mulheres e meninas. Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha aprovado uma resolução em 2012 para proibi-la, ainda é praticada em cerca de 30 países.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgará novos números sobre a prevalência global no próximo mês, mas estimativas atuais indicam que pelo menos 200 milhões de mulheres e meninas foram submetidas à MGF.

Apesar dos apelos de ativistas e defensores dos direitos humanos para criminalizar a prática, incluindo o relator especial da ONU sobre violência contra mulheres e meninas, ela continua legal em Serra Leoa. Uma pesquisa nacional em 2019 revelou que 83% das mulheres haviam passado pela MGF, uma leve queda em relação aos 90% em 2013.

A prática faz parte de um ritual de iniciação tradicional que marca a entrada de uma menina na idade adulta e é realizada por “soweis”, membros sêniores das sociedades secretas exclusivamente femininas.

O FAHP está fazendo lobby por uma lei que criminalize a MGF e trabalha para promover cerimônias alternativas de passagem que não envolvam a prática. No ano passado, a organização testou cerimônias de iniciação sem a prática em três distritos, e pretende expandir o teste para mais dois este ano.


PROCESSO GRADUAL

Pesquisas mostram que as cerimônias sem MGF mais eficazes ainda são aquelas facilitadas pelas soweis. Aminata Koroma destacou a necessidade de encontrar alternativas viáveis, uma vez que a prática é uma fonte importante de renda para as soweis e as famílias gastam entre $300 e $400 (entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil) na cerimônia que dura três semanas.

Embora a mudança de mentalidade esteja ocorrendo, Koroma reconhece que será um processo gradual. Ela expressa otimismo em relação à nova geração, acreditando que serão eles que eventualmente acabarão com a MGF.

Em 2021, Maseray Sei, 21 anos, da região de Bonthe, no Sul da Serra Leoa, morreu de complicações após passar pela MGF. Um praticante foi acusado de homicídio culposo, mas o caso foi arquivado devido a um erro em um relatório médico sobre a morte de Sei.

Divya Srinivasan, líder da campanha para acabar com práticas prejudiciais na Organização Não Governamental (ONG) Equality Now, criticou a apatia do governo da Serra Leoa diante das mortes contínuas decorrentes da MGF e sua relutância em tomar medidas necessárias para prevenir essas mortes ou proibir a prática.

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