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Proteína klotho melhora a função cognitiva e a memória de macacos

Pesquisa publicada na revista Nature Aging mostra que a proteína klotho, que ocorre naturalmente no nosso corpo, mas diminui com a idade, pode melhorar a função cognitiva e a memória de macacos

Escrito por
Thiago Freire
July 17, 2023
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Uma pesquisa publicada na revista Nature Aging mostrou que uma proteína chamada klotho melhorou a função cognitiva e a memória de macacos. Essa substância ganhou o nome da deusa grega Clotho – que, na mitologia grega, tecia o fio da vida – e ocorre naturalmente no nosso corpo, mas diminui com a idade.

No experimento, os pesquisadores testaram o efeito de doses pequenas de klotho em camundongos e macacos rhesus. Os macacos tinham cerca de 22 anos e receberam uma única injeção da proteína.

“A vantagem dos macacos, como é sabido, é que eles têm uma semelhança de 93% com os seres humanos e uma função cognitiva mais elevada e complexa. Além disso, eles também têm um declínio cognitivo com a idade e alterações nas sinapses, comprometendo regiões do cérebro, incluindo o hipocampo e o córtex pré-frontal”, explica Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP.

O hipocampo é a região do cérebro responsável pela formação de novas memórias, além de estar associado ao aprendizado e emoções. O córtex pré-frontal é a região associada a inteligência, raciocínio lógico e manipulação sobre as outras regiões do cérebro.

Os pesquisadores tinham dois objetivos: verificar se um aumento nos níveis séricos (ou seja, a quantidade) de klotho, comparável ao observado em camundongos, melhorava a capacidade cognitiva em macacos; verificar se doses maiores da proteína tinham um efeito maior na capacidade cognitiva, isto é, se o efeito era dose-dependente.

Os resultados do estudo mostraram que a injeção de klotho melhorou significativamente a função cognitiva e a memória dos macacos. Os animais que receberam a proteína tiveram melhor desempenho em testes de memória, aprendizado e atenção. Eles também mostraram menos sinais de declínio cognitivo, como alterações nas sinapses e no hipocampo.

Os pesquisadores acreditam que a klotho pode ser usada para desenvolver novos tratamentos para doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. No entanto, mais estudos são necessários para confirmar esses resultados.

A pesquisa foi liderada por Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP. O estudo foi publicado na revista Nature Aging em 2023.

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