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O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou uma drástica mudança em sua postura política ao afirmar que, em um possível segundo mandato, promoverá uma lei de anistia para os nove líderes independentistas catalães condenados por "atentar contra as instituições" por seu papel no referendo de independência da Catalunha em 2017. Essa mudança representa uma guinada em relação à sua abordagem anterior, que incluía o uso do termo "foragido da justiça" ao se referir ao ex-governador catalão Carles Puigdemont, atualmente exilado na Bélgica, e à prisão de sete dos nove condenados.
A "crise" à qual Sánchez se refere é o movimento independentista catalão iniciado em setembro de 2017, quando a Catalunha era governada por Carles Puigdemont. Em 1º de outubro de 2017, o governo catalão promoveu um referendo que questionava a independência da região, com a vitória do "sim" à independência. No entanto, o resultado não foi reconhecido pelo governo espanhol da época, que acusou os líderes do movimento independentista de "atentar contra a unidade da Espanha." Isso resultou na condenação judicial dos principais líderes dos partidos envolvidos no referendo.
O movimento independentista catalão não se limita apenas à busca da separação da Espanha, mas também envolve a criação da República da Catalunha. A vitória do Partido Popular (PP) nas eleições gerais espanholas de 2023 não lhe garantiu a maioria necessária para formar um governo sem apoio de partidos regionalistas. O PP se recusou a mudar sua abordagem em relação ao independentismo catalão, o que levou o PSOE de Sánchez a buscar alianças com partidos catalães e bascos.
A mudança de postura de Sánchez em relação à anistia dos líderes catalães pode ser um passo em direção à formação de uma maioria para seu segundo mandato, caso os partidos independentistas aceitem a proposta. A formação de uma aliança é vista como uma maneira de garantir o apoio necessário para um novo governo.
