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Os partidos Esquerda Republicana Catalã (ERC) e Juntos Pela Catalunha (Junts) anunciaram um novo acordo que coloca mais pressão sobre os dois principais candidatos a novo primeiro-ministro da Espanha, Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular (PP), e Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário da Espanha (PSOE).
O novo pacto exige a realização de um referendo de independência na Catalunha nos próximos dois anos, com o apoio do governo espanhol. Este acordo representa uma segunda condição imposta pelos partidos catalães para a entrega de seus 14 votos no parlamento.
Anteriormente, as duas legendas haviam apresentado um acordo para garantir o apoio à coalizão que se comprometesse com a anistia dos nove políticos catalães presos e exilados por seu envolvimento com o referendo independentista realizado em 2017, considerado ilegal pelo governo espanhol à época. Agora, um novo referendo reconhecido por Madri se torna uma segunda condição para o apoio desses votos.
Essa nova exigência complica ainda mais a situação dos dois candidatos ao cargo de primeiro-ministro.
Desafios para Feijóo
Atualmente, o direito de formar maioria no parlamento espanhol pertence a Alberto Núñez Feijóo, já que seu partido foi o mais votado nas eleições de 23 de julho. No entanto, Feijóo falhou em sua primeira tentativa de investidura no cargo, ficando a apenas quatro votos do quórum necessário.
Uma das principais barreiras para a formação de maioria é a aliança do Partido Popular com o partido de extrema direita Vox, que defende a perseguição de legendas do País Basco e da Catalunha, rotulando-as como "separatistas" e "terroristas". Embora Feijóo tenha feito alusão a uma possível anistia aos presos catalães, o temor de perder o apoio do Vox o impediu de apresentar um compromisso mais concreto.
Pela lei, Feijóo terá mais duas chances de formar maioria, sendo a segunda tentativa marcada para esta sexta-feira (29/09). No entanto, a necessidade de buscar apoio entre partidos de esquerda e grupos regionalistas torna essa possibilidade muito remota.
Desafios para Sánchez
Se Feijóo não conseguir formar maioria em três tentativas, existe a possibilidade de o rei da Espanha, Felipe VI, conceder a Pedro Sánchez a chance de tentar a investidura e manter-se no cargo por um novo mandato. O PSOE foi o segundo partido mais votado nas eleições de julho.
No entanto, a possibilidade de Sánchez formar governo também enfrentará desafios significativos, especialmente em relação às exigências de anistia para os presos políticos catalães e a realização de um novo referendo de independência na Catalunha.
O primeiro acordo entre ERC e Junts já era um desafio para o atual primeiro-ministro, pois ele não fez nenhum gesto em favor do perdão aos independentistas em seus cinco anos de governo. Agora, com a inclusão de uma nova condição que teria um impacto ainda maior no país, a decisão de Sánchez se torna ainda mais complexa.
