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Nesta quinta-feira, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, por uma ampla maioria de 187 votos a favor, uma resolução que pede o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. A resolução obteve dois votos a mais a favor em comparação com o ano anterior, incluindo o voto do Brasil, que se absteve na votação do ano passado.
Apenas dois países votaram contra a resolução: os Estados Unidos e Israel, e a Ucrânia optou pela abstenção.
A resolução, apresentada pelo ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, destaca os prejuízos que as sanções econômicas dos Estados Unidos causam ao povo cubano. Elas incluem a "privação da indústria agrícola de fundos para comprar ração animal, equipamentos industriais e outras necessidades para a produção de alimentos". Rodríguez também descreveu o cenário em que famílias enfrentam dificuldades para adquirir bens, filas longas, preços excessivamente elevados e esforços do governo para garantir o sustento da população.
O ministro ressaltou que, entre março de 2022 e fevereiro de 2023, o embargo dos Estados Unidos causou prejuízos significativos à economia cubana, totalizando mais de 405 milhões de dólares por mês, 13 milhões de dólares por dia e 555 mil dólares por hora. Ele argumentou que, sem o embargo, o PIB de Cuba poderia ter crescido nove pontos percentuais em 2022.
O bloqueio econômico também afetou a saúde da população cubana, com Rodríguez chamando as afirmações dos EUA de "mentirosas". Ele citou o exemplo da dificuldade de adquirir ventiladores e outros equipamentos essenciais durante a pandemia de COVID-19, alegando que as empresas que produzem esses equipamentos são subsidiárias de empresas norte-americanas.
O ministro considerou o embargo "unilateral e injustificável" e afirmou que não é legal nem ético que uma potência submeta uma nação menor a um bloqueio implacável para atingir objetivos políticos.
Antes da votação, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, já havia anunciado que o Brasil apoiaria o fim do embargo dos EUA a Cuba, argumentando que a rejeição do embargo era praticamente um consenso internacional. Ele enfatizou que intensificar as relações econômicas com Cuba era o caminho a seguir para melhorar a vida dos cidadãos cubanos.
Após a votação, o representante dos Estados Unidos justificou as sanções como um conjunto de ferramentas para incentivar Cuba a promover a democracia e o respeito pelos direitos humanos. Ele enfatizou que os Estados Unidos se opunham à resolução.
A comunidade internacional, como nos anos anteriores, deixou os Estados Unidos isolados, considerando o embargo econômico uma violação dos direitos humanos do povo cubano, que prejudica o desenvolvimento do país e afeta outras nações devido ao seu alcance extraterritorial.
Há 30 anos, a Assembleia Geral da ONU pede repetidamente que os Estados Unidos suspendam o embargo econômico a Cuba, embora o embargo continue em vigor. No ano passado, 185 estados-membros votaram a favor da resolução, com dois votos contrários (Israel e EUA) e duas abstenções (Brasil e Ucrânia).
