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Netanyahu enfrenta críticas dos EUA e descontentamento interno em Israel

Reforma judicial controversa e agressiva política de assentamentos levam a atritos com a administração Biden e protestos em Israel

Escrito por
Thiago Freire
July 13, 2023
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<p>Benjamin Netanyahu vem esticando a corda ao conduzir um perigoso teste de resistência de sua coalizão, capitaneada por extremistas e ultraortodoxos, contra a maioria da população israelense, a comunidade palestina e os EUA, o principal aliado e parceiro internacional de Israel.</p>

<p>O governo insiste em levar adiante a controversa reforma judicial, elaborada para enfraquecer a Suprema Corte e beneficiar o premiê acusado em três processos de corrupção, e também em avançar numa agressiva política de assentamentos na Cisjordânia.</p>

<p>O resultado é a irritação coletiva, que se refletiu também nas duras palavras do presidente Joe Biden, em entrevista à CNN no último domingo. O presidente americano referiu-se à coalizão de Netanyahu como a mais extremista que ele já viu em Israel e aos ministros que integram o governo como parte do problema.</p>

<p>Em meio século de vida pública como defensor de Israel, Biden tem lugar de fala para criticar o premiê e negar-se a convidá-lo para ir a Washington nos conturbados sete meses deste governo.</p>

<p>Os desacordos entre ambos mereceram destaque do colunista Thomas Friedman, do "New York Times", ao considerar ser inevitável para Biden a reavaliação dos laços entre os dois países antes que Israel saia dos trilhos.</p>

<p>As declarações do presidente americano e o artigo do analista tiveram grande repercussão em Israel, que registrou mais uma semana de protestos e bloqueios de rodovias contra a reforma judicial que progride no Parlamento.</p>

<p>"Os EUA agora são forçados a enfrentar a 'farsa' da reforma judicial, enquanto Israel avança em direção à destruição da solução de dois Estados e à perda de apoio americano", afirmou Friedman.</p>

<p>Em editorial, o jornal "Haaretz" considerou que Netanyahu não é digno do cargo que ocupa, por sabotar o relacionamento estratégico mais importante de Israel. "Por razões cínicas de sobrevivência política, ele escolheu pôr em risco o futuro do país".</p>

<p>Como bem lembrou o jornal israelense, as bases deste relacionamento especial entre os dois países tiveram no compromisso dos EUA com a segurança de Israel a principal premissa.</p>

<p>Essa lealdade foi expressa na ajuda americana de US$ 180 bilhões ao país, desde a sua criação, em 1948; e nos 53 vetos dos EUA, desde 1972, em resoluções do Conselho de Segurança que condenavam as ações de Israel.</p>

<p>Os números demonstram que Israel não pode prescindir do incondicional apoio americano, mas os ministros radicais de Netanyahu esnobam publicamente Biden, atacando-o em nome da soberania interna.</p>

<p>"Não vamos demitir um ministro porque os EUA não gostam dele, não somos uma república das bananas", esbravejou Simcha Rothman, presidente do Comitê de Constituição do Knesset e um dos maiores defensores da reforma judicial empreendida pelo premiê.</p>

<p>Por trás das críticas de Biden a Netanyahu há um cálculo estratégico. O presidente americano conta com o respaldo da maioria dos judeus americanos. Netanyahu, por sua vez, vem caindo nas pesquisas. Se as eleições fossem hoje, sua coalizão de extrema direita não teria chances de formar governo.</p>

<p>A prova dessa frieza é que mudou o interlocutor israelense nos EUA. Na próxima semana, por ocasião do 75º aniversário de Israel, será o presidente Isaac Herzog, e não Netanyahu, o convidado a falar ao Congresso americano e a ser recebido por Biden.</p>

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