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Um dia após o terrível terremoto que atingiu Marrocos, deixando menos de 2 mil mortos e mais de 2 mil feridos, o país começa a enfrentar a dolorosa tarefa de enterrar as vítimas da catástrofe. Enquanto isso, as equipes de resgate persistem nas buscas, e muitos moradores, temendo réplicas, passaram uma segunda noite nas ruas.
O vilarejo de Moulay Brahim, um dos mais afetados pelo terremoto, viu muitos de seus moradores começarem, neste domingo (10/09), a dar um último adeus às vítimas do tremor que deixou 2.012 mortos e 2.059 feridos, com mais da metade deles em estado grave, segundo o balanço mais recente.
Mais da metade das mortes ocorreu na província de Al Hauz, no epicentro do terremoto, onde está situado Moulay Brahim, um vilarejo de 3 mil habitantes. As equipes de resgate, auxiliadas por maquinário de construção, continuam a procurar sobreviventes nos destroços na região, que está localizada em uma zona montanhosa.
A dor e o choque são palpáveis entre os moradores. Hasna, uma residente, compartilha suas palavras: "É uma tragédia terrível, estamos chocados com essa desgraça." Embora sua própria família tenha escapado ilesa, ela observa: "Todo o vilarejo chora por seus filhos. Muitos vizinhos perderam parentes. É uma dor indescritível."
Lahcen, outro morador de Moulay Brahim, lamenta: "Eu perdi tudo." Sua esposa e seus quatro filhos perderam a vida no terremoto. "Não posso fazer mais nada. Quero apenas me afastar e fazer meu luto", diz ele.
Na cidade de Marrakech, os marroquinos avaliam os danos em suas casas entre pilhas de escombros, poeira e carros esmagados por pedras. O tremor foi sentido até mesmo na capital Rabat, a centenas de quilômetros de distância, e em cidades costeiras como Casablanca ou Essaouira. Até o país vizinho, a Argélia, sentiu o terremoto, mas não registrou danos ou vítimas.
A comunidade internacional se mobiliza para enviar ajuda aos marroquinos. A Argélia anunciou a abertura de seu espaço aéreo para aviões com ajuda humanitária destinada às vítimas. A Cruz Vermelha Internacional alertou que Marrocos pode precisar de "meses, ou até anos" de assistência para reconstruir as áreas afetadas.
Na noite deste sábado, ainda era possível ver muitas pessoas dormindo nas ruas, praças e terrenos baldios, com o temor de novas réplicas do terremoto.
Marrocos está localizado em uma região propensa a terremotos devido à sua posição entre as placas tectônicas africana e euroasiática. Em 2004, um terremoto em Al Hoceima deixou pelo menos 628 mortos e 926 feridos. Em 1960, outro terremoto destruiu Agadir, na costa oeste do país, causando a morte de mais de 12 mil pessoas, um terço da população da cidade.
