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<p>Na segunda-feira (03/07), uma semana após oficializar os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais da Guatemala, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) do país anunciou a suspensão desses mesmos resultados, o que coloca em dúvida a continuidade do pleito.</p>
<p>Essa suspensão foi resultado de uma decisão proferida no domingo (02/07) pela Corte Constitucional guatemalteca, que exigiu uma segunda revisão dos resultados de diversas mesas eleitorais durante o primeiro turno. A decisão foi baseada em denúncias de fraude apresentadas por três partidos: Unidade Nacional da Esperança (UNE), Vamos e Valor.</p>
<p>O prazo estipulado pelo tribunal constitucional para a revisão das mesas denunciadas pelos partidos reclamantes é de uma semana. Após essa revisão, o TSE deverá emitir um parecer que revalide ou não os resultados apresentados no dia seguinte ao primeiro turno.</p>
<p>Vale ressaltar que o segundo turno das eleições presidenciais está programado para o dia 20 de agosto. No entanto, caso a revisão dos resultados demore mais de uma semana, essa data poderá ser revista.</p>
<p>Uma situação inusitada ocorre com a presença de Sandra Torres, candidata de centro-esquerda da UNE, entre os reclamantes. Torres foi a mais votada no primeiro turno, com 15,3% dos votos, e já estava garantida para disputar a eleição final contra Bernardo Arévalo, do Movimento Semente.</p>
<p>Além de Torres, os outros reclamantes incluem Manuel Conde, do partido governista Vamos, que ficou em terceiro lugar, com 7,8% dos votos, e Zury Ríos Sosa, do partido Valor, filha do ex-ditador Efraín Ríos Montt, que amargou a sexta colocação, com apenas 6,7% dos votos. Ambos apresentaram denúncias de fraude.</p>
<p>A decisão da Corte Constitucional, respaldada pelo TSE, também suspendeu o resultado das eleições legislativas. O partido Vamos, do atual presidente Alejandro Giammatei, obteve a maioria das cadeiras no parlamento unicameral, com 39 assentos. A UNE ficou em segundo lugar, com 28 representantes, seguida pelo Movimento Semente, com 23.</p>
<p>O Congresso da Guatemala é composto por 160 membros, sendo necessário o apoio de 81 votos para alcançar uma maioria simples.</p>
<p>É importante destacar que a Corte Constitucional já havia interferido nas eleições em pelo menos duas ocasiões anteriores. Em março, cassou a candidatura da líder indígena Thelma Cabrera, do Movimento pela Liberação dos Povos, e em maio, impugnou a chapa do ultraliberal Carlos Pineda, importante influenciador do país.</p>
