Matérias
Mundo

Cúpula social do Mercosul rejeita acordo com União Europeia

Representantes da sociedade civil destacam caráter neocolonial do acordo com a União Europeia, defendendo a revisão do texto

Escrito por
Thiago Freire
December 5, 2023
Leia em
X
min
Compartilhe essa matéria
Leia Também

No primeiro dia da Cúpula Social do Mercosul, representantes da sociedade civil expressaram críticas contundentes ao acordo com a União Europeia, caracterizando-o como neocolonial. O texto-base construído em 2019, após mais de duas décadas de negociações, foi duramente questionado por seu caráter injusto e desigual, favorecendo uma hierarquia nas relações entre sul-americanos e europeus.

Durante a mesa de debates, Raiara Pires, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), defendeu o encerramento das negociações atuais e a construção de um novo acordo, fundamentado em bases diferentes que considerem a unidade de saberes populares e acadêmicos. Adhemar Mineiro, da Rede Brasileira de Integração dos Povos (Rebrip), concordou, enfatizando que o acordo atual prejudica a integração dos povos sul-americanos, favorecendo a competição entre os países.

O secretário executivo adjunto da Secretaria-Geral da Presidência, Flávio Schuch, celebrou a retomada do Mercosul Social, destacando a importância do diálogo direto entre o governo federal e a sociedade civil. Ele enfatizou a necessidade de ampliar os debates sobre temas cruciais para a América do Sul e expressou a posição brasileira de negociar um acordo que não comprometa o desenvolvimento industrial do país.

O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, diretor do Departamento de Política Econômica, Financeira e de Serviços, detalhou alguns pontos sensíveis para o governo brasileiro nas negociações com a União Europeia, incluindo a utilização de mecanismos próprios de monitoramento de desmatamento e a exclusão de setores como saúde e tecnologias de rede do acordo.

No items found.
Matérias relacionadas
Matérias relacionadas