Leia Também
A Central Station de Nova York já foi cenário de filmes e é um dos pontos turísticos mais famosos da cidade. Mas a apenas alguns metros dali, chama a atenção uma imensa fila de imigrantes e refugiados recém-chegados da fronteira dos Estados Unidos que esperam por um lugar para dormir.
Desde o último domingo (30/07), dezenas de pessoas estão dormindo ao relento, em meio a uma onda de calor que assola a cidade, praticamente sem água ou comida, tendo que recorrer aos banheiros públicos da Central Station quando necessário.
Sua única esperança é um ticket com um número que os localiza nessa fila de espera por um lugar para descansar no interior do Hotel The Roosevelt, alugado pela prefeitura e transformado em abrigo temporário.
A cena de pessoas em péssimas condições amontoadas na calçada à espera de um milagre transformou a paisagem de Nova York, colocando em foco a crise migratória que a cidade atravessa atualmente.
Para entender como Nova York chegou ao ponto de estar em meio a uma crise migratória, é preciso voltar ao mês de abril de 2022, quando os primeiros ônibus lotados de imigrantes começaram a chegar na cidade.
Essas pessoas, em sua maioria venezuelanos que cruzaram a fronteira em busca de asilo político na condição de refugiados, estavam sendo enviadas pelo governo republicano do Texas como uma espécie de “presente de grego” aos democratas.
Em protesto à política migratória da administração Joe Biden, o governador do Texas, Greg Abbott, passou a encaminhar os recém-chegados a cidades como Washington D.C. e Nova York. Isso porque ambas as cidades são governadas por democratas e são consideradas “santuário”, pois têm políticas mais flexíveis à permanência de imigrantes sem documentos.
Além disso, na cidade de Nova York, desde 1984 rege uma normativa que garante o direito a teto a qualquer pessoa que o solicite em caráter de refugiado. Essa lei obriga o governo a providenciar um lugar onde essas pessoas possam permanecer até conseguirem um lugar para se instalarem.
A prefeitura passou, então, a encaminhar os imigrantes aos abrigos da cidade, que, na verdade, funcionam para abrigar sem-teto e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Não demorou muito para o sistema colapsar. A população do sistema de abrigos da cidade bateu um recorde estabelecido em 2019, após ultrapassar os 62 mil no início de outubro. Desse total, cerca de 12.700 são imigrantes, o que levou a prefeitura de Nova Iorque a declarar estado de emergência.
Em uma tentativa de amenizar a superlotação dos abrigos, uma tenda gigante foi construída na Ilha Randalls, que fica entre o Harlem e o Queens no East River para receber essas pessoas. A estrutura permaneceu funcionando somente até os primeiros sinais de frio chegarem no início de novembro.
Até hoje, essa situação só piorou e a solução encontrada pelo prefeito de Nova York, Eric Adams foi, em um primeiro momento, seguir o exemplo de seus pares do sul e encaminhar os imigrantes a cidades menores no interior do estado. Nesse mesmo momento, o prefeito entrou com um pedido na justiça para anular a normativa que rege a obrigação do governo de dar abrigo a todo aquele que o solicite.
Quando uma nova leva começou a desembarcar na cidade no fim de julho, eles foram enviados diretamente ao Hotel The Roosevelt, localizado na região central da cidade, onde teriam uma cama. No entanto, o hotel rapidamente alcançou sua capacidade máxima e dezenas de pessoas tiveram que dormir nas calçadas.
A crise migratória em Nova York é um problema complexo que não tem solução fácil. No entanto, é importante lembrar que essas pessoas são seres humanos que estão fugindo de situações de violência e pobreza em seus países de origem. Eles merecem nossa empatia e solidariedade.
