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Primeira-ministra do Reino Unido renuncia após 45 dias de governo

O anúncio, feito há quatro semanas, de um plano fiscal que previa uma série de cortes de taxas e impostos provocou uma ampla resposta negativa dos mercados e levou à demissão repentina do ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng.

Escrito por
Redação
October 19, 2022
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<p>Há apenas um mês e meio no governo, a primeira-ministra britânica, Liz Truss, renunciou nesta quinta-feira (20). Ela é a terceira líder do Reino Unido consecutiva a deixar o cargo antes do fim do mandato, e a que menos tempo ficou no posto na história do país.</p>

<p>Truss, que substituiu Boris Johnson no comando do país, já vinha sofrendo uma forte pressão para renunciar por conta de um polêmico plano econômico que gerou revolta no mercado e dentro de seu próprio partido.</p>

<p>O plano previa um corte amplo e severo de impostos e, em paralelo, um empréstimo bilionário para tentar cobrir o rombo nas contas públicas. A proposta foi muito mal recebida no país, em um momento no qual a inflação do Reino Unido ultrapassou os 10% - a maior taxa nos últimos 40 anos -, e fez a libra desabar para o menor valor da história frente ao dólar.</p>

<p>Em pronunciamento na porta de Downing Street, a sede do governo do Reino Unido, em Londres, Liz Truss , acompanhada de seu marido, disse que já informou sua renúncia ao rei Charles III . E que permanecerá no cargo até que o Partido Conservador escolha outro líder no tipo de regime do Reino Unido, uma monarquia parlamentarista, o partido vencedor das eleições gerais é quem escolho o primeiro-ministro do país.</p>

<p>Como o Partido Conservador foi o vencedor das últimas eleições, cabe a sigla trocar seu líder, o que, segundo o comitê responsável pelas eleições internas da sigla, deve acontecer antes de 31 de outubro.</p>

<blockquote class="wp-block-quote"><p>"Nós estabelecemos uma visão para imposto baixo e que nos permitiria disfrutar a liberdade do Brexit. Eu reconheço que não consigo entregar o mandato para o qual eu fui eleita", declarou.</p></blockquote>

<p>Mais cedo, o governo do Reino Unido havia negado que Truss deixaria o governo antes da data de implementação do plano, 31 de outubro, e o porta-voz da premiê reafirmou que ela cumpriria seu mandato. Logo depois, no entanto, ela convocou o presidente do comitê de seu partido responsável por convocar novas eleições internas, Graham Brady.</p>

<p>Ao longo da semana, no entanto, a fila de parlamentares e membros do próprio partido de Truss que pedem a saída da atual líder aumentou. Segundo a imprensa britânica, metade dos membros do Partido Conservador, a sigla que a premiê lidar, apoiava a renúncia.</p>

<p>Também na última semana, Truss perdeu dois ministros: o de Finanças, responsável pelo polêmico plano, e a do Interior, Suella Braverman, que renunciou na quarta-feira (19). A saída de Braverman, considerada a mais linha dura do governo de Truss, acelerou e aprofundou a crise.</p>

<p>O pronunciamento do novo ministro das Finanças, Jeremy Hunt, foi considerado a gota d´água para a credibilidade de Truss. No Parlamento, Hunt anunciou que mudaria por completo o plano de Truss, que ficou sentada, atrás do novo ministro.</p>

<blockquote class="wp-block-quote"><p>"A primeira-ministra perdeu o controle do governo e a confiança dos parlamentares conservadores", declarou o deputado Steve Double, do próprio partido de Truss, um dos que exigiram a renúnunca.</p></blockquote>

<p>Aos sete anos, Liz Truss atuou no papel Margaret Thatcher em uma simulação das eleições gerais do Reino Unido em sua escola.</p>

<p><strong>Entrada turbulenta</strong></p>

<p>A entrada de Liz Truss no governo também ocorreu de forma turbulenta. Truss substituiu Boris Johnson, que renunciou após uma série de escândalos envolvendo sua participação em festas privadas durante o período de lockdown do Reino Unido e a denúncia de abuso sexual por parte de dois alto cargos de seu governo.</p>

<p>Após uma disputada eleição interna, o Partido Conservador elegeu Truss para substituir Johnson.</p>

<p>Apenas três dias depois, no entanto, rainha Elizabeth II morreu, e o Reino Unido entrou em um longo período de luto e cerimônias de despedida que adiaram o início dos trabalhos do governo de Truss.</p>

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