Leia Também
A crise de moradia na Europa se agravou devido ao aumento da inflação e às consequências econômicas da pandemia de covid-19, de acordo com um relatório publicado pela Federação Europeia de Organizações Nacionais dedicadas aos Sem-Teto (Feantsa). Em 2022, pelo menos 896 mil pessoas dormiram nas ruas do continente, refletindo um aumento alarmante no número de pessoas sem-teto.
O presidente da Feantsa, Freek Spinnewijn, destacou que "todas as noites na Europa, uma população equivalente à de uma cidade como Marselha ou Turim não tem um lar para onde voltar". Ele ressaltou que essa situação está piorando na maioria dos países europeus, com exceção da Finlândia e da Dinamarca, que conseguiram reduzir significativamente o número de pessoas sem-teto em seus territórios.
O relatório revela que apenas a França e a Alemanha tinham, cada uma, mais de 200 mil pessoas sem-teto em 2022. Além disso, 19,2 milhões de pessoas na Europa vivem em locais superlotados e em condições precárias. No entanto, a desigualdade nos serviços de acolhimento e informações entre os países indica que a situação pode ser ainda mais grave.
A situação de moradia precária tem sérias consequências para a saúde das pessoas afetadas, aumenta a pobreza e contribui para a exclusão social. Além disso, gera custos significativos, especialmente em despesas médicas.
O conflito na Ucrânia complicou ainda mais essa situação, juntamente com o aumento dos preços de alimentos e energia, bem como as dificuldades econômicas decorrentes da pandemia. As organizações que trabalham no apoio e acolhimento dos sem-teto enfatizam a necessidade de recursos adequados e de melhorias nas políticas públicas para ajudar essa população vulnerável.
Na França, associações têm observado mudanças no perfil das pessoas em situação de pobreza extrema ou sem-teto, incluindo mulheres solteiras com filhos, estudantes e estrangeiros. A crise de moradia está se agravando para esses grupos devido a despejos, aumento dos aluguéis, alta nos preços de energia e alimentos, e o fechamento de acomodações de emergência pelo governo.
