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<p>Sem consentimento, jovens mulheres de São Paulo dizem que viraram "cobaias" de dois coaches estrangeiros em uma festa que funcionou como “aula prática” de um curso que ensina homens a conquistar mulheres.</p>
<p>O evento em questão ocorreu no final de fevereiro, em uma mansão no Morumbi, na Zona Sul de São Paulo, e foi promovido por Mike Pickupalpha e David Bond, do site Millionaire Social Circle ("Círculo Social de Milionários"). Mike, inclusive, já apareceu em canais no Youtube filmando mulheres com câmeras escondidas em diversos países. Já David Bond é na verdade, Steven Mapel – ele diz ser um especialista em namoro on-line e produtor de conteúdo digital.</p>
<p>O curso é oferecido a estrangeiros de vários países, e o custo é a partir de US$ 12 mil (cerca de R$ 63 mil) em troca de consultoria de conquista e viagem de duas semanas para algum país. O pacote com seis países, chamado de “World Tour”, sai por US$ 50 mil (cerca de R$ 262,7 mil), de acordo com o site da dupla.</p>
<p>Além do Brasil, houve edições na Costa Rica (em fevereiro de 2022), Colômbia (julho de 2022) e Filipinas (agosto de 2022). A próxima etapa será na Tailândia, em agosto.</p>
<p>O anúncio da viagem ao Brasil diz o seguinte:</p>
<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“Venha explorar com David e Mike e conheça as mulheres brasileiras ao redor do mundo que são conhecidas por serem divertidas, curvilíneas e apaixonadas”.</em></p></blockquote>
<p>Após o evento, quatro mulheres relataram ao g1 que não sabiam que fariam parte de uma aula prática de conquista. Duas delas receberam convite para a festa por meio das redes sociais, ambas depois de terem conhecido alunos do curso em um aplicativo de relacionamento (Tinder).</p>
<p>Uma delas afirmou que se sentiu enganada.</p>
<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>"Me senti usada, me senti enganada, traída. Isso para mim foi o cúmulo do absurdo, cúmulo do machismo. Eu achava que era uma festa entre amigos, apenas. Não sabia que tinha um curso em volta disso, onde homens querem conquistar mulheres".</em></p><cite>Relatou ao G1</cite></blockquote>
<p>Ela registrou um boletim de ocorrência eletrônico na Polícia Civil, alegando que foram filmadas sem autorização e que foram usadas no curso. Segundo seu relato à polícia, a maioria dos homens no evento era de fora do país.</p>
<p>Por fim, todas disseram que não sabiam que os homens estrangeiros faziam parte desse “curso”. As mulheres pediram que a identidade delas fosse preservada.</p>
