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China proíbe uso de iPhones em órgãos governamentais e empresas estatais

Restrições afetam a Apple, que depende significativamente do mercado chinês

Escrito por
Thiago Freire
September 8, 2023
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Na última quarta-feira (6), o "Wall Street Journal" revelou uma decisão chocante por parte da China: a proibição do uso de iPhones por funcionários do governo chinês. A notícia, que inicialmente causou surpresa, ganhou ainda mais peso quando a Bloomberg informou que essa proibição havia sido estendida a empresas apoiadas pelo Estado, incluindo a gigante energética PetroChina, uma das maiores empresas do país asiático, responsável por empregar milhões de trabalhadores e controlar vastas áreas da economia chinesa.

A China é, indiscutivelmente, o maior mercado estrangeiro para os produtos da Apple, e as vendas no país representaram cerca de um quinto da receita total da empresa no ano passado. Embora a Apple não divulgue números específicos de vendas do iPhone por país, analistas da empresa de pesquisa TechInsights estimam que, no último trimestre, mais iPhones foram vendidos na China do que nos Estados Unidos. Além disso, a maioria dos iPhones é produzida em fábricas chinesas.

Situada em Cupertino, na Califórnia, a Apple desempenha um papel significativo na economia de Pequim, como mencionou Brandon Nispel, analista da KeyBanc Capital. Por muitos anos, a empresa foi vista como relativamente segura na China em relação às restrições governamentais. No entanto, as proibições recentemente relatadas levantam uma questão crucial: "O governo está mudando sua posição em relação à Apple?", questiona Nispel.

Analistas do Bank of America notaram que essa potencial proibição do iPhone coincide com o lançamento de um novo smartphone topo de linha pela fabricante chinesa Huawei. O timing dessa decisão, segundo eles, é "interessante".

O governo dos Estados Unidos também entrou na discussão. Na terça-feira (5), o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, anunciou que o governo dos EUA está investigando o novo smartphone da Huawei, afirmando que precisa de "mais informações sobre seu caráter e composição" para determinar se a empresa chinesa contornou as restrições americanas às exportações de semicondutores para criar um novo chip.

As consequências dessa proibição não se limitam apenas à Apple. O mercado de tecnologia sentiu o impacto imediato das notícias. O Nasdaq Composite caiu cerca de 0,9% no dia seguinte ao anúncio, e o setor de semicondutores sofreu uma queda ainda mais acentuada, com uma redução de mais de 2%.

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