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No sábado (14), a população da Austrália rejeitou uma emenda à Constituição que propunha reconhecer os aborígenes como os primeiros habitantes do território e criar um órgão consultivo para assessorar o Parlamento sobre políticas que afetem os povos indígenas.
Com quase 70% dos votos contados, a opção "não" venceu por 60%, enquanto o "sim" representou cerca de 40%, de acordo com as sondagens divulgadas antes da votação.
A campanha pelo "sim" admitiu a derrota quase imediatamente após as primeiras pesquisas boca de urna mostrarem uma tendência clara de vitória para o outro lado, representando um revés para o primeiro-ministro Anthony Albanese e sua proposta de conciliação nacional.
O governo propôs a primeira mudança constitucional desde 1977 como um avanço aos direitos indígenas, mas a votação revelou divisões profundas na sociedade sobre o tema, dividindo até mesmo líderes indígenas.
O resultado do referendo representa um desafio para a unificação do país, e Albanese apelou a uma nação polarizada para se unir num "espírito de unidade e cura". Segundo o premiê, a derrota será "muito difícil de suportar" para a grande maioria dos aborígenes australianos que apoiaram a emenda à Constituição.
Os defensores da proposta do Voice to Parliament argumentaram que a inclusão de um órgão consultivo indígena na Constituição ajudaria a resolver alguns dos problemas enfrentados por esses povos, incluindo uma expectativa de vida menor e uma taxa de encarceramento muito maior. No entanto, a principal campanha contrária à emenda argumentou que o órgão consultivo seria divisivo e que seus poderes não foram claramente definidos.
Enquanto isso, alguns oponentes indígenas argumentaram que a proposta não ia longe o suficiente e exigiram um tratado.
Os povos indígenas representam 3,8% da população da Austrália. Os aborígenes vivem no território há pelo menos 65 mil anos e são considerados uma das culturas vivas mais antigas do mundo.
