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O aumento da pobreza na França tem levado a filas cada vez maiores de pessoas que dependem de associações de caridade para garantir três refeições por dia. Isso resultou em desafios significativos para as organizações de assistência, uma vez que os custos dos alimentos e das operações aumentaram devido à inflação.
As crises sucessivas, como a pandemia de COVID-19, a guerra na Ucrânia e a inflação, afetaram os orçamentos das famílias francesas e levaram pessoas que anteriormente não enfrentavam a precariedade alimentar a dependerem de bancos alimentares e instituições de caridade. A inflação desempenhou um papel crucial nesse cenário, contribuindo para aumentar os custos de energia, alimentos e operações.
A diretora da Federação Francesa dos Bancos Alimentares, Laurence Champier, destacou que a inflação teve um impacto significativo nos gastos das associações de caridade. "Quando o preço da energia subiu, chegamos a um aumento de € 16 milhões a mais nos nossos gastos", afirmou.
Até mesmo organizações emblemáticas na França, como a Restos du Coeur, anunciaram que terão que deixar de atender cerca de 150 mil pessoas até o início de 2024. No primeiro semestre deste ano, a Restos du Coeur registrou 200 mil beneficiados a mais do que o previsto, refletindo a crescente demanda por assistência alimentar.
O governo francês planeja lançar um plano de combate à pobreza na próxima semana, em resposta à situação, que afeta 9,2 milhões de pessoas na França, ou 15% da população. Pesquisas demonstram que uma parcela significativa dos franceses não consegue economizar, enquanto um número crescente vive com suas contas bancárias no vermelho.
Além disso, as filas por comida agora incluem não apenas desempregados, mas também pessoas com empregos fixos, mães solteiras, aposentados e estudantes universitários. O aumento dos preços dos alimentos, que subiram 11% em agosto em comparação com o ano anterior, forçou muitos a cortar gastos não essenciais e a se concentrar em itens alimentares básicos.
A falta de doações também se tornou uma preocupação, com o número de doações no país estagnando no ano passado, algo que não ocorria há uma década. A situação é um reflexo das pressões enfrentadas pelas famílias devido à inflação e ao aumento da precariedade alimentar. A alimentação, que é o segundo maior gasto das famílias, tornou-se uma variável de ajuste em seus orçamentos, levando à compra de produtos mais baratos e à restrição das compras não alimentares.
