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Nesta quarta-feira (10), o Juiz da 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro presidiu a primeira audiência de instrução no processo que investiga o assassinato brutal da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O ex-bombeiro Maxwell Simões Correa é um dos acusados no caso, que também inclui os ex-PMs Ronnie Lessa e Elcio Queiroz, atualmente detidos.
O envolvimento de Maxwell surgiu a partir da delação premiada de Elcio Queiroz. Com base nas provas apresentadas pelo Ministério Público, o juiz Gustavo Kalil decretou a prisão preventiva de Maxwell, apontando sua ligação direta antes, durante e após os assassinatos. Atualmente, Maxwell encontra-se em um presídio federal em Brasília e participou da audiência de forma remota.
A partir do presídio em Brasília, Elcio Queiroz prestou seu depoimento, fornecendo detalhes sobre a dinâmica do assassinato e as providências tomadas para eliminar qualquer vestígio incriminador relacionado ao duplo homicídio. Segundo Queiroz, no dia do crime, Ronnie Lessa o convidou para dirigir um carro. Ambos se encontraram no condomínio do ex-PM, na Barra da Tijuca. Elcio alegou que não sabia que participaria dos assassinatos e acreditava que Ronnie o convidou devido à falta de confiança em Maxwell como motorista.
De acordo com o depoimento de Elcio, ele e Ronnie entregaram seus celulares a Maxwell para evitar rastreamento e receberam o carro Cobalt de volta. Dirigiram até a Lapa, onde aguardaram a vereadora Marielle Franco sair de uma reunião na Casa das Pretas. O assassinato ocorreu no Estácio, quando os criminosos se aproximaram do veículo de Marielle. Ronnie Lessa, com rajadas de metralhadora, atingiu Marielle e Anderson, conforme relatou Elcio Queiroz.
A assessora de imprensa de Marielle, Fernanda Gonçalves Chaves, estava no carro, mas não foi atingida pelos disparos.
Segundo o depoimento, os criminosos abandonaram o carro perto da casa da mãe de Ronnie Lessa e se encontraram com Maxwell em um bar na Barra da Tijuca. No dia seguinte ao crime, os três começaram a planejar como se livrar do carro. Primeiro, trocaram as placas, que foram picadas e jogadas na linha férrea em Quintino, na zona norte do Rio. O carro foi entregue a um mecânico de Rocha Miranda, conhecido como "Orelha", com a instrução de desmanchá-lo.
Elcio Queiroz também revelou que, ao temer ser preso, pediu a Ronnie Lessa que mantivesse o sustento de sua família, compromisso que deveria ser cumprido por Maxwell. No entanto, o apoio financeiro dado por Maxwell diminuiu até ser suspenso por completo.
A audiência reuniu os depoimentos das testemunhas de acusação, incluindo Mônica Benício, a viúva de Marielle, que afirmou desconhecer se a vereadora recebia ameaças devido a sua atuação política. Ágatha Reis, mulher de Anderson Gomes, declarou que seu marido trabalhou com Marielle por dois meses e nunca mencionou preocupações com a segurança.
Fernanda Gonçalves, assessora de imprensa da vereadora, descreveu sua convivência com Marielle e o terrível episódio do crime, no qual foi atingida por estilhaços de vidro. Ela também enfatizou que Marielle nunca mencionou ameaças ou preocupações com sua segurança. A audiência trouxe à tona informações cruciais que poderão ajudar a esclarecer o trágico assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
