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“Arerê… a Onça vai jogar a série B”

"O Amazonas agora é um time da série B do Campeonato Brasileiro"

Escrito por
Larissa Balieiro
October 9, 2023
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O grito da Arena da Amazônia no último sábado (7) foi assim: “Arerê..ê..ê, a Onça vai jogar a série B”. O Amazonas agora é um time da série B do Campeonato Brasileiro. O aurinegro bateu o Botafogo (PB) por 2 a 0 com gols de Diego Torres e Rafael Tavares. A mágica de tudo isso fica ainda mais especial porque a Arena da Amazônia estava lotada: mais de 44 mil torcedores prestigiaram e testemunharam o acesso à série B da Onça-pintada. A última vez que um time amazonense esteve na segunda divisão foi em 2006, com o São Raimundo.

A tarde do dia 7 de outubro foi mágica, foi incrível e foi gigante. Um cenário e um clima de festa. Sai de casa antes das 12h pra ir almoçar no Shopping e por lá já tinha um termômetro do que estava por vir. Pessoas com a camisa do Amazonas, crianças com pelúcia de onça (mascote do clube). Sentia a cidade respirar esse jogo e assim foi. 

O calor genuíno amazonense dava tom a decisão, porque era uma que o Amazonas teria pela frente. Já imaginou a frustração de perder um acesso em casa com casa cheia? Pois bem, os deuses do futebol estavam novamente conosco. O Amazonas entrou em campo dono do terreno e assim fez. 

Com menos de 25 minutos do primeiro tempo, o aurinegro já tinha seu acesso assegurado com o placar de dois a zero. Um de pênalti, visto e chamado pelo VAR, e outro golaço do camisa 10 Rafael Tavares. A Arena foi a loucura, o torcedor vibrava e muito com aquele resultado. 

Foto: João Normando | Agência LB

O Amazonas passeava em casa, brincava e sabia que estava em casa. Não abdicou do jogo mesmo vencendo e isso deixou a festa ainda mais especial. Posso afirmar que, após dois acessos, esse foi o mais natural de presenciar. Mas sabe aquela sensação de que tudo podia acontecer e eu ainda não estava acreditando que estávamos subindo para a série B? Pois é. Eu chorei no gol do Tavares, o segundo. E explico:

O meia Rafael Tavares tem uma história particular neste acesso. Capitão e craque do time, o camisa 10 está no Amazonas há duas temporadas. Com esse gol específico e do acesso, chegou a 19 gols e é o maior artilheiro da história recente do clube, de apenas quatro anos. Tavares não tinha marcado um gol nesta série C, e chegou a ficar longe do protagonismo do time, liderado inclusive pelo atacante Sassá que é o artilheiro da série C com 17 gols.

Tavares é o maior artilheiro do Amazonas, com 19 gols. Foto: João Normando

Ainda sim, Rafael seguiu em campo distribuindo seus passes. Temos uma relação pessoal de amizade, e eu sabia o quanto para ele era importante aquele gol. O camisa 10 perdeu o seu camisa 10 no começo do ano, o pai. De lá pra cá, Tavares travou uma briga pessoal com sua rotina de treinos. Sentia copiosamente a falta do pai. Em muitas comemorações no estadual deste ano, apontou pro céu em sinal de saudade e respeito. No último sábado (7), encheu o pé e após um jejum de seis meses fez o gol do acesso. Na terça-feira (3) antes do jogo, numa conversa nossa eu cravei que o gol do acesso seria dele, e foi. Que bom! E aqui uma coisa ainda mais pessoal, no acesso de 2022 marcou e prometeu a camisa do acesso pra mim, em 2023 marcou e prometeu a camisa do acesso pra mim. Tenho duas camisas 10 históricas em casa.

O Amazonas resgatou uma história muito bonita do futebol amazonense, o de torcer por um time local. Chegou a série B com a responsabilidade de manter viva essa chama. Cabe ao torcedor buscar saber mais e se identificar com o clube. Acompanhar e viver intensamente esse novo feito. BAITA HISTÓRIA! Esse grupo está na história.

Quatro anos de história e saiu da série B do Amazonense para a série B do Brasileiro.

Eu tô EXTREMAMENTE realizada! Feliz! Grata! 

Quem não estaria assim?

Agora é, PARTIU FINAL. Amazonas encara o Brusque, aquele que foi campeão brasileiro em 2019 aqui na nossa Arena diante do Manaus nos pênaltis. Será que podemos dar o troco? Vamos aguardar. Tem muitas coincidências nessa final, mas isso eu conto na próxima coluna!

No mais, o canto continua: “arerê… a Onça vai jogar a série B”.

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